“Menos intermediação, mais alimentação. Esse é o movimento claro e transparente do setor”, disse. A declaração foi dada ao deixar o Palácio da Alvorada, depois a cerimônia de assinatura do decreto. Galassi estava com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
O empresário disse que o modelo anterior concentrava o mercado em poucas empresas, o que elevava os custos para o comércio. “Hoje, 4 empresas detêm 90% do faturamento. Esse arranjo fechado criou um modelo de lucro fácil, de alto custo, que quem paga é o pequeno comerciante e, no fim, o consumidor. Esse modelo acaba hoje”, afirmou.
Para ele, a abertura dos arranjos e a interoperabilidade –que permitirá que qualquer cartão seja aceito em todas as maquininhas– vão descentralizar o sistema. “O Brasil tem um setor de supermercados altamente desconcentrado, com mais de 1.200 empresas representando 60% do faturamento. Essa diversidade agora vai poder se refletir também nos meios de pagamento”, avaliou.
Galassi reforçou que a redução das taxas e dos prazos de repasse deve resultar em ganho real ao trabalhador. “Teremos uma transferência de mais de R$ 10 bilhões que hoje ficam na intermediação para milhões de estabelecimentos em todo o país. Isso vai se traduzir em maior valor no voucher alimentação e refeição”, disse.
Galassi se contrapôs ao argumento de que as novas regras possam reduzir margens de lucro das operadoras. “A redução da taxa não vira margem porque há alta concorrência. Essa concorrência é que garante o repasse para o consumidor”, declarou.
Segundo o presidente da Abras, o decreto marca o fim de um ciclo de concentração. “Hoje é um dia histórico. Esse mercado há muito tempo precisava ser regulamentado e, enfim, foi. É o mesmo movimento que aconteceu com o cartão de crédito: abriu-se o mercado, reduziram-se as taxas e todos saíram ganhando”, concluiu.
