Esses cortes se deram principalmente por revisões cadastrais e por um monitoramento mais rigoroso do Cadastro Único, que foi reformulado em março. A administração federal fez um intenso pente-fino na iniciativa social a partir do 2º semestre, quando os recursos para manter o auxílio começaram a ficar escassos.

Em dezembro de 2024, o Bolsa Família atendia 20,8 milhões de famílias, 11,2% a mais do que agora, no mesmo mês de 2025.
O programa foi inflado em 2022, por Jair Bolsonaro (PL), às vésperas da eleição. Nos 4 anos da administração anterior, o auxílio ganhou 7,5 milhões de famílias no saldo geral. Agora, com Lula, esse número vem caindo.
O benefício médio pago aos beneficiários aumentou de forma acelerada nos últimos anos, com variações muito acima da inflação. Era de R$ 186,78 em dezembro de 2018. Em dezembro de 2022, havia passado para R$ 607,14. Em dezembro de 2025, está em R$ 691,37.
O governo diz que o número de famílias no Bolsa Família está em queda porque muitas pessoas registraram aumento na sua renda. Só que essa é só uma parte da história. Há também um contingente que foi excluído depois de terem sido constatadas fraudes e outra parte que está sendo impedida de receber o benefício, mesmo depois de entregue toda a documentação necessária à área de assistência social.
Os pagamentos de dezembro começaram a ser realizados na 4ª feira (10.dez). Vão até 23 de dezembro. Os depósitos foram antecipados para que todos sejam feitos antes do Natal. Leia o calendário aqui.
QUASE R$ 13 BI POR MÊS
Os gastos mensais que o governo tem com o programa também acompanharam a alta de beneficiários. No último mês de 2025, serão empenhados R$ 12,7 bilhões com os pagamentos. Em janeiro de 2022, esse valor era de R$ 3,7 bilhões. O pico foi em junho de 2023: R$ 15 bilhões.

FILA É PROBLEMA
Como mostrou o Poder360 em novembro, a fila de famílias pré-habilitadas para entrar no Bolsa Família chegou a 987,6 mil pessoas naquele mês. Esse é o maior patamar desde julho de 2022, quando 1,6 milhão esperava a concessão do auxílio. É o recorde do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dados de dezembro ainda não estão disponíveis.
A maior fila de famílias habilitadas para entrar no Bolsa Família foi registrada em dezembro de 2021, com 2,8 milhões, na administração de Jair Bolsonaro (PL), como mostra o quadro acima. Também houve picos acima de 1 milhão em 2012, 2013, 2014, 2015, 2019, 2020 e 2022.

Não é possível saber exatamente o porquê da fila de famílias habilitadas para o Bolsa Família estar em tendência de alta, mas essa paralisação das concessões vem em momento que o governo aperta os cintos para tentar fechar as contas do ano.
O programa social terminou o 1º semestre atendendo 20,5 milhões de famílias. Nos meses seguintes, começaram a ser feitos cortes agressivos, levando a iniciativa para o patamar atual (18,7 milhões de famílias). Sem esse movimento de redução de beneficiários, não haveria dinheiro para a gestão federal encerrar os pagamentos do ano. Também não há transparência sobre quem são essas pessoas excluídas.
WELFARE STATE
O Poder360 publicou em 27 de outubro uma edição extra do Drive sobre a evolução do “welfare State”, o Estado de bem-estar social, do Brasil. O Drive é a newsletter premium enviada a assinantes produzida pela equipe deste jornal digital. Conheça clicando aqui.
O documento traz o panorama mais completo disponível na mídia brasileira sobre o Bolsa Família e outras iniciativas assistencialistas. Mostra os efeitos positivos e negativos da alta dos mais variados auxílios depois da pandemia.
É uma edição para ler e guardar. Conta com 30 infográficos com levantamentos exclusivos. Clique aqui ou na imagem abaixo para ter acesso ao PDF (4 – MB):

