Todas as unidades marítimas operadas pela Petrobras na área estão paralisadas, configurando um dos movimentos mais abrangentes da categoria nos últimos anos, segundo o sindicato. A região é uma das principais regiões produtoras de petróleo e gás do país.
Em nota, a Petrobras disse que não há impacto na produção de petróleo e derivados. “A empresa adotou medidas de contingência para assegurar a continuidade das operações e reforça que o abastecimento ao mercado está garantido”, diz o texto.
Na manhã desta 4ª feira (17.dez), trabalhadores realizaram um ato público em frente ao Terminal de Cabiúnas, em Macaé (RJ).
O terminal é considerado estratégico para o setor energético nacional, pois recebe petróleo e gás da Bacia de Campos e do pré-sal, processa derivados como GLP (gás liquefeito de petróleo) e gás natural e distribui a produção para refinarias e para o mercado interno.
A paralisação atinge plataformas como P-18, P-19, P-20, P-25, P-26, P-31, P-33, P-35, P-40, P-43, P-51, P-52, P-54, P-55 e P-62, entre outras, confirmando adesão integral na bacia.
No Complexo Boaventura, antigo Comperj, em Itaboraí (RJ), a mobilização também causou impacto. Filas de ônibus se formaram no desembarque dos trabalhadores, resultando em atrasos na troca de turnos e descontinuidade operacional. A adesão foi majoritária entre os empregados do turno e significativa no quadro administrativo.
Segundo o Sindipetro-NF, a greve se estrutura em 3 eixos centrais. O 1º envolve o fundo de pensão Petros, com críticas aos planos de equacionamento de deficit que reduzem a renda de aposentados e pensionistas. O 2º trata da negociação de um Acordo Coletivo de Trabalho sem política de austeridade e com plano de cargos e salários isonômico em todo o sistema Petrobras. O 3º eixo é definido pelo sindicato como uma “pauta pelo Brasil”, que defende uma Petrobras estatal e indutora do desenvolvimento nacional, com investimentos na indústria naval, ampliação do parque de refino, retomada de fábricas de fertilizantes e protagonismo na transição energética.
O Sindipetro-NF afirma que a adesão total nas plataformas envia um recado à gestão da Petrobras e que, sem avanços concretos nas negociações, a greve poderá seguir por tempo indeterminado.
O sindicato afirma que a empresa adota medidas unilaterais e de não apresentar propostas que atendam às reivindicações aprovadas em assembleias.
O que diz a Petrobras
“A Petrobras informa que foram registradas manifestações em unidades da companhia em virtude de movimento grevista. A Petrobras afirma que não há impacto na produção de petróleo e derivados. A empresa adotou medidas de contingência para assegurar a continuidade das operações e reforça que o abastecimento ao mercado está garantido.
“A empresa respeita o direito de manifestação dos empregados e mantém um canal permanente de diálogo com as entidades sindicais, independentemente de agendas externas ou manifestações públicas.
“A Petrobras está em processo de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho desde o final de Agosto deste ano. Na última terça-feira (09/12) a companhia apresentou sua última proposta, que contempla avanços aos principais pleitos sindicais. A Petrobras segue empenhada em concluir a negociação do acordo na mesa de negociações com as entidades sindicais.”
