Moro publicou duas mensagens no X (ex-Twitter) em que destacou que a gravação foi feita por um delator que se dispôs a coletar provas para o caso Banestado. Afirmou que o ato seguiu as regras determinadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) na época. Disse que o material não foi usado nos processos sob sua responsabilidade. E acusou a jornalista Daniela Lima, autora da reportagem, de “requentar” um conteúdo publicado por ela mesma no site g1 em 2023. “Estranhamente, esses factoides são ressuscitados no momento em que é revelado que Lulinha está sendo investigado pela PF por suspeita de envolvimento no escândalo do roubo do INSS”, escreveu.
O 1º post publicado pelo senador do União Brasil do Paraná foi este:

O 2º post publicado por Moro foi este, acompanhado de um vídeo:

Eis o vídeo que Moro incluiu no 2º post publicado sobre o tema:
Sobre a matéria requentada pela jornalista do PT e sobre as coisas que realmente importam: a aprovação de minha emenda que permite que o PL da dosimetria possa ser aprovado no Congresso ainda neste ano, restringindo os benefícios somente aos condenados do 8/1 e jamais para crimes… pic.twitter.com/98RV3SFl1b
— Sergio Moro (@SF_Moro) December 17, 2025
O UOL nega que a reportagem de 2023 seja a mesma publicada agora. O portal afirmou que a 1ª tratou de transcrições que confirmam escutas ilegais. Já a 2ª relata a apreensão do despacho de Moro na 13ª Vara Federal, onde o senador atuava como juiz, em buscas realizadas em 3 de dezembro de 2025.
Ordem de gravação
O despacho judicial apreendido pela PF na 13ª Vara de Curitiba, onde Moro conduziu o caso Banestado e, depois, a operação Lava Jato, comprova que o então juiz determinou ao delator Tony Garcia a gravação do então presidente do TCE do Paraná, Heinz Herwig, autoridade com foro privilegiado. A prerrogativa do foro restringe a atuação de um magistrado de 1ª Instância, como era o caso de Moro. O documento, assinado em julho de 2005, foi descoberto durante operação de busca e apreensão autorizada pelo ministro do STF Dias Toffoli.
No despacho obtido pelo UOL, Moro ordena que o colaborador tente gravar “novamente” a autoridade, alegando que as gravações anteriores eram “insatisfatórias para os fins pretendidos”. A polícia teve acesso à íntegra de um áudio de 40 minutos com a gravação do presidente do TCE-PR, cuja transcrição totaliza aproximadamente 20 páginas.
A operação da PF se deu depois que o STF solicitou repetidamente documentos, fitas e gravações que não haviam sido enviados à Corte. Toffoli relata um inquérito com suspeitosas de que delatores teriam sido utilizados para monitorar autoridades fora do alcance legal do então juiz.
A gravação inicial do presidente do TCE-PR foi feita em fevereiro de 2005. Conforme a legislação brasileira, presidentes de Tribunais de Contas estaduais só podem ser investigados mediante autorização prévia do STJ (Superior Tribunal de Justiça). O material apreendido pela PF inclui relatórios de inteligência com transcrições de escutas de outras autoridades com foro, como desembargadores do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) e políticos.
Tony Garcia firmou acordo de delação premiada com Moro há 21 anos. De 2004 a 2005, ele realizou gravações telefônicas e ambientais por ordem do então juiz. A Polícia Federal considera a hipótese de crime continuado nas investigações sobre grampos ilegais na operação Lava Jato. Moro, porém, sustenta que as suspeitas de grampos ilegais já prescreveram.
