Com apenas 19,9% de volume, o Cantareira enfrenta a pior entrada de água em um início de ano desde 2015 e pode entrar na faixa emergencial.

Mesmo com a chegada do verão, o Sistema Cantareira voltou a registrar um volume preocupante: apenas 19,9% de sua capacidade total. O índice, verificado nesta quinta-feira (8/1), repete o cenário observado há exatamente um mês e revela que, apesar do período chuvoso, a vazão natural continua abaixo do esperado, agravando o risco de desabastecimento na região metropolitana de São Paulo.
Responsável por atender cerca de 7,3 milhões de pessoas diariamente, o Cantareira encontra-se novamente próximo da chamada Faixa 5 de operação, considerada a mais restritiva. Caso esse limite seja oficializado, a vazão permitida para retirada de água cai para 15,5 metros cúbicos por segundo (m³/s), o que pode sobrecarregar outros mananciais da capital e comprometer o fornecimento em diferentes bairros.
Chuvas abaixo da média e pior início de ano desde 2015
O que mais chama atenção neste cenário é que, mesmo em janeiro, quando as chuvas costumam ser mais intensas, o volume de água que entra nos reservatórios tem sido irrisório. Segundo dados da Sabesp, entre os dias 1º e 7 deste mês, o sistema recebeu apenas 14,53 m³/s, o que representa quase cinco vezes menos do que a média histórica para o período, que é de 67,3 m³/s.
Essa queda contínua no armazenamento também reflete um início de ano hidrológico (outubro) sem reposição suficiente das perdas acumuladas no inverno. Em apenas três meses, o volume do sistema despencou de 26,8% para os atuais 19,9%.
Consequências e medidas possíveis
Diante desse quadro, autoridades já discutem ações emergenciais para evitar o agravamento da situação. A SP Águas, agência do governo paulista, explicou que a faixa de operação do sistema é definida mensalmente, em conjunto com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
Atualmente, o Cantareira opera na Faixa 4, que impõe um limite de 23 m³/s. No entanto, qualquer redução adicional tende a comprometer ainda mais o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que reúne todos os principais mananciais da Grande São Paulo e já opera com apenas 26,9% da capacidade – um patamar bastante inferior ao registrado no ano anterior, quando estava em 49,9% nesta mesma época.
A expectativa é que, até o fim de janeiro, haja uma recuperação no volume útil do sistema, para garantir ao menos 20% de capacidade, impedindo a transição para a faixa especial de operação. Caso contrário, será necessário um esforço conjunto entre poder público e população para enfrentar um novo período de escassez.
Referências da notícia
Sistema Cantareira volta a ficar abaixo de 20% em meio à seca em SP. 8 de janeiro, 2026. William Cardoso.
