A Coreia do Sul ultrapassou o Japão como principal destino de voos internacionais partindo da China continental, marcando uma mudança significativa nas tendências do turismo regional, influenciadas por tensões políticas e recomendações governamentais.
De 29 de dezembro de 2025 a 4 de janeiro de 2026, a Coreia do Sul ficou em 1º lugar entre os destinos mais buscados, com 1.012 voos partindo da China continental, seguida pela Tailândia, com 862, e pelo Japão, com 736, segundo dados da Flight Master. Os dados de passageiros também refletiram essa mudança. De 30 de dezembro a 5 de janeiro, o tráfego entre as cidades chinesas e a Coreia do Sul aumentou 30% em relação ao ano anterior, chegando a 331 mil passageiros, enquanto as viagens para o Japão caíram 33%, para 258 mil, conforme dados da consultoria de aviação CADAS divulgados na 3ª feira (6.jan.2026).
A mudança drástica se dá depois de alertas de viagem emitidos pelas autoridades chinesas no contexto da deterioração das relações diplomáticas entre Pequim e Tóquio. Em resposta, as companhias aéreas chinesas começaram a oferecer reembolsos e alterações de voos gratuitos para o Japão em meados de novembro, estendendo posteriormente essas isenções até o final de março. Analistas do setor esperam que a tendência persista durante a próxima temporada de viagens do Festival da Primavera, que começa em meados de fevereiro.
Esses acontecimentos ressaltam uma mudança estrutural no mercado de viagens internacionais da China, onde fatores geopolíticos estão moldando cada vez mais o comportamento do consumidor. Embora as viagens globais continuem a se recuperar, a queda na demanda por viagens para o Japão abriu oportunidades para outros destinos de curta distância no Nordeste e Sudeste Asiáticos, forçando companhias aéreas e agências de turismo a rever suas estratégias.
Em um relatório de dezembro, a Fitch Ratings observou que voos para o Japão conseguiram recuperar para 82% dos níveis de 2019 em novembro. No entanto, dados da Flight Master mostram que essa tendência se reverteu, com o volume de voos para o Japão caindo para apenas 66% dos níveis de 2019 durante a 1ª semana de 2026. As companhias aéreas responderam reduzindo a frequência de voos, optando por aeronaves menores e lidando com taxas de ocupação mais baixas nessas rotas.
A Coreia do Sul emergiu como a principal beneficiária dessa mudança. Uma fonte do setor de turismo, citando dados da plataforma de viagens Fliggy, do Alibaba Group Holding Ltd., disse à Caixin que 60% da demanda desviada do Japão migrou para destinos domésticos, com os 40% restantes redistribuídos entre mercados internacionais, sendo a Coreia do Sul o país que mais se beneficiou. Durante o período de férias de Ano Novo, as reservas para Busan e Seul aumentaram 400% e 290%, respectivamente, de acordo com dados da plataforma de viagens Qunar.
O Sudeste Asiático apresentou ganhos mais modestos, embora o Vietnã tenha se destacado como um ponto positivo. A demanda por viagens para Cingapura e Malásia permaneceu estável durante o feriado, enquanto a Tailândia ainda não experimentou uma forte recuperação, de acordo com outra fonte do setor.
Novas políticas de isenção de visto também devem influenciar as preferências de destino. A Turquia começou a conceder, em 2 de janeiro, entrada sem visto para portadores de passaporte chinês, e a Rússia implementou uma política semelhante em dezembro de 2025. Espera-se que essas mudanças impulsionem o crescente interesse em viagens de média e longa distância durante o período do Festival da Primavera.
Wang Zhan, diretor da Fitch Ratings, disse à Caixin que a rede de aviação internacional da China está se afastando de um modelo centrado em “Japão, Coreia do Sul, EUA e Europa” para um que enfatiza “rotas de curta distância de alta frequência, além de rotas selecionadas de longa distância”. Ele declarou que cidades mais importantes, como Pequim, Xangai e Guangzhou, estão focadas em restaurar o serviço de longa distância, enquanto cidades secundárias estão adicionando rapidamente voos diretos para o Sudeste Asiático e a Coreia do Sul.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 7.jan.2026. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.
