Cotado para assumir o Ministério depois da saída de Ricardo Lewandowski, o ex-ministro da Justiça Tarso Genro (PT-RS) afirmou nesta 2ª feira (12.jan.2026) que não aconselharia o desmembramento da pasta neste momento. Segundo ele, seria inadequado criar o Ministério da Segurança Pública por medida provisória em ano eleitoral. A criação da nova estrutura é defendida por setores do PT como bandeira para as eleições de 2026.
“Eu não estou apresentando meu nome […] Eu não acho que é adequado pressionar o presidente num momento decisivo para o país como esse que precede as eleições do ano que vem”, declarou Genro ao Poder360. Relatou também que não conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz 3 meses.
Tarso é uma das 3 sugestões do Setorial de Segurança Pública do PT para comandar um eventual Ministério da Segurança Pública. A carta, enviada ao presidente do partido, Edinho Silva, tem os seguintes nomes:
- Tarso Genro – ex-prefeito de Porto Alegre, ex-governador do Rio Grande do Sul ex-ministro nos ministérios da Educação, das Relações Institucionais e da Justiça;
- Adriana Accorsi – deputada federal (PT-GO);
- Benedito Mariano – ex-ouvidor da polícia de São Paulo.
A carta defende que o futuro titular seja vinculado ao PT e pede que Edinho leve as indicações a Lula.
Estratégia diferente
Genro defende que, em vez de criar uma nova pasta, o futuro ministro da Justiça faça uma discussão ampla com a sociedade sobre a estrutura do futuro Ministério da Segurança Pública. Ele avalia que haveria muita “resistência” caso o governo crie via MP (Medida Provisória).
“Só poderia ser criado por medida provisória, num nível assim inadequado, na minha opinião, que seria de uma secretaria e não de um ministério de Estado, como deve ser feito, e receberia muita resistência”, afirmou.
O ex-governador disse que o governo deveria ter encaminhado a criação da pasta há mais de 1 ano: “Agora tem que mudar a estratégia. A proposta permanece válida, é necessária, é incontornável, inclusive, para que o governo dê uma resposta estrutural para essa questão, mas agora tem que ter um ritmo diferente”.
Disputa pela nomeação
Para o Ministério da Justiça, o principal nome é o do advogado-geral da Petrobras, Wellington Lima e Silva. Ele foi secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil de janeiro de 2023 a agosto de 2024. No governo Dilma Rousseff chegou a assumir a Justiça por 11 dias.
O nome de Wellington é defendido principalmente pela “ala baiana” próxima a Lula, como os ministros Sidônio Palmeira (Secom) e Rui Costa (Casa Civil).
O Consesp (Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública), a favor da criação do ministério, sugere 2 nomes:
- Chico Lopes – secretário de Segurança Pública do Piauí;
- Andrei Rodrigues – diretor-geral da Polícia Federal.
Até a definição, Manoel Carlos de Almeida Castro segue como ministro interino da Justiça e Segurança Pública.
