O MP (Ministério Público) junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) entrou na 2ª feira (12.jan.2026) com uma representação pedindo que a Corte alerte o Senado sobre a indicação de Otto Lobo, escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para presidir a CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Segundo o documento citado pelo jornal O Globo, Lobo acumula um histórico de decisões favoráveis ao Banco Master. A instituição foi alvo de liquidação extrajudicial por parte do BC (Banco Central) em novembro por suspeita de fraude.
“O ideal, a meu ver, seria a adoção de medida cautelar, de forma a impedir a realização da sabatina. No entanto, não sendo isso possível dentro das competências do TCU, resta-me propor o alerta sugerido, ao tempo que solicito que a emissão do alerta ocorra com a urgência que o caso requer”, afirmou o subprocurador Lucas Rocha Furtado. O pedido de Furtado ainda deverá ser analisado pela área técnica do TCU.
Vinculada ao Ministério da Fazenda, a CVM é a autarquia do governo brasileiro responsável por regular, normatizar, fiscalizar e desenvolver o mercado de valores mobiliários no Brasil, como ações, debêntures e fundos de investimento. Sua atuação visa a garantir a transparência, proteger os investidores e assegurar o funcionamento do mercado de capitais.
Em 7 de janeiro, Lula decidiu indicar Lobo para chefiar a CVM. Ele já exercia a presidência da comissão de forma interina desde a renúncia de João Pedro Nascimento, em julho de 2025. Lobo assumiu as funções por ser o diretor mais antigo da CVM. O nome de Lobo para a presidência da autarquia precisa ser votado pelo Senado.
Otto Lobo, 58 anos, assumiu o cargo de diretor da CVM em janeiro de 2022, nomeado por Jair Bolsonaro (PL) após sua aprovação pelo plenário do Senado, em novembro de 2021.
O parecer favorável à indicação de Lobo como diretor foi apresentado na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado pelo relator Ciro Nogueira (PP-PI), que destacou o currículo e a competência do indicado para a função.
Dez dias depois de assumir interinamente a presidência, Lobo provocou controvérsia ao acatar um recurso da Ambipar, empresa de gestão de resíduos, decidindo em sentido contrário a um parecer da CVM.
Segundo a área técnica da autarquia, o controlador da empresa, Tércio Borlenghi Júnior, junto ao investidor Nelson Tanure e ao Banco Master, havia atuado em conjunto para adquirir mais de 1/3 das ações em circulação da Ambipar no mercado, elevando o seu preço.
Com a sua decisão, acompanhada pelo diretor João Accioly, Lobo barrou a realização de uma OPA (Oferta Pública de Ações) para aquisição de papéis dos minoritários, depois que Borlenghi Júnior havia aumentado sua participação na Ambipar.
Ao longo dos 6 meses em que Lobo atuou como presidente interino, a comissão lidou com casos espinhosos. Além da Ambipar, foram apontadas nesse período as suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master.
Também ocorreram os desdobramentos da operação Carbono, que identificou tentáculos da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) em instituições do mercado financeiro.
