A Lei Rouanet movimentou R$ 25,7 bilhões na economia brasileira em 2024, segundo a Pesquisa de Impacto Econômico da Lei Rouanet, realizada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e encomendada pelo Ministério da Cultura e pela OEI (Organização de Estados Ibero-americanos). Leia a íntegra (PDF – 3,2 MB).
O estudo foi lançado nesta 3ª feira (13.jan.2026), no auditório da FGV, em São Paulo, em evento com participação da ministra da Cultura, Margareth Menezes e do secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Henilton Menezes. A pesquisa apresenta um mapeamento dos efeitos econômicos e sociais dos projetos incentivados pela Lei Rouanet.
A FGV apresentou o IAE (Índice de Alavancagem Econômica) da Rouanet em 2024. O indicador mostra que para cada R$ 1 investido em execução de projetos, foram movimentados R$ 7,59 na economia.
O estudo afirma que os R$ 25,7 bilhões movimentados na economia brasileira são resultado dos R$ 3 bilhões captados pela iniciativa no ano retrasado. Desse total, R$ 12,6 bilhões tiveram impacto direto e R$ 13,1 indireto.
O estudo classificou como de impacto direto os recursos que pagam diretamente empresas de logística, transporte, alimentação, equipamentos, estrutura e atividades administrativas. Já o impacto indireto refere-se ao fluxo econômico de bens e serviços fornecidos por empresas como as de marketing e propaganda, limpeza, segurança, manutenção, energia, água, óleo e gás.
No último estudo do tema feito pela FGV, em 2018, o IAE registrado foi de R$ 1 real para R$ 1,59. O índice, no entanto, não pode ser comparado com o de 2024, porque na ocasião foi considerado apenas o valor oriundo das captações, sem integração com outras fontes de gastos do público.
“O grande diferencial da cultura é o público. Na hora que ele vai a um espetáculo, que ele vai a um teatro, ele tem uma movimentação econômica que vai desde o táxi que ele pega, se ele vai ficar num hotel, se ele vai jantar antes, então a gente tentou identificar esse gasto do público para fazer essa movimentação econômica completa”, afirmou o gerente executivo da FGV, Luiz Gustavo Barbosa, que conduziu a apresentação do estudo.
NÚMEROS DA LEI ROUANET EM 2024
A pesquisa da FGV registrou 4.939 projetos com recursos executados pelo mecanismo em 2024. Ao todo, foram 3.154 proponentes, dos quais 86,7% eram PJ (pessoa jurídica) e 13,3% eram PF (pessoa física).
Foram contabilizados 567 mil pagamentos realizados em 1.805 itens orçamentários diferentes. Essa categoria identificou os registros administrativos, destinos e tipos de destinatário (PJ, PF ou MEI) de cada pagamento realizado com recursos da Rouanet.
Mais de 98% dos projetos executados foram de até R$ 10 milhões, considerados de pequeno porte pela FGV e pelo MinC. Foram 3.789 iniciativas de até R$ 1 milhão (76%), 1.072 de até R$ 10 milhões (21,7%) e só 78 com valor acima de R$ 10 milhões.
As operações dos projetos financiados pela Lei geraram R$ 3,9 bilhões em tributos que retornaram para o governo federal.
APROVAÇÃO ATRAI MAIS RECURSOS
Para além dos R$ 3 bilhões em financiamentos via Rouanet, a FGV identificou captações de R$ 579,4 milhões em recursos financeiros e mais R$ 305,2 milhões em captações de apoio não financeiro. Esses aportes foram provenientes de outras fontes, mas foram atraídos pela captação original da Rouanet, segundo o estudo.
“A Lei Rouanet gera uma credibilidade. Quando um projeto é aprovado pelo Minc e passa a poder captar recursos, ele gera uma credibilidade no mercado. E aí você tem um efeito multiplicador que é: além do recurso aprovado da Rouanet, esses projetos passam a captar recursos de outros instrumentos de fomento. A Lei Rouanet é um 1º passo. Com o carimbo da Lei Rouanet, o projeto consegue outros patrocínios e outras captações”, declarou Barbosa.
PÚBLICO, EMPREGOS E RENDA
O público impactado pelos projetos com recursos captados pela Rouanet atingiu 89,3 milhões em 2024. Desse total, 69,3 milhões foram identificados como “público visitante”, com potencial de gastos em eventos presenciais.
O estudo destaca ainda que a Lei Rouanet foi responsável pela criação de 228.069 postos de trabalho em 2024, dos quais 152,7 mil foram diretos e 75,3 mil foram indiretos. Segundo os cálculos da FGV, a cada R$ 12,3 mil investidos diretamente pela iniciativa, 1 posto de trabalho é mantido ou gerado na economia brasileira.
Luiz Gustavo Barbosa afirma que os recursos da Rouanet geram “ondas” que se propagam na economia em diferentes atividades: “O impacto direto de um suco que vai estar sendo servido é o dinheiro que foi pago para comprar aquele suco e o impacto indireto é todo o recurso que foi necessário ser movimentado para que aquele suco chegasse aqui. Ele vai desde o frete que foi colocado no suco do distribuidor até a agricultura, até a produção da laranja. Ele olha não somente o gasto direto, mas olha toda a cadeia econômica necessária para que esse suco tenha chegado aqui”.
As micro e pequenas empresas foram as mais beneficiadas pelos financiamentos: 104.483 fornecedores e prestadores de serviços receberam pagamentos com os recursos da Rouanet. Desses, 85,5% representavam pequenos negócios (MEI e MPE).
Os valores distribuídos com as captações da Lei Rouanet não ultrapassam montantes expressivos: 97% dos pagamentos feitos com recursos obtidos pela Rouanet a fornecedores e prestadores de serviço ficaram abaixo de R$ 25.000 e 90% não ultrapassam R$ 10.000.
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA
Em 2024, 58,9% dos projetos da Lei Rouanet foram executados em áreas periféricas urbanas ou rurais, regiões vulneráveis ou áreas de povos e comunidades tradicionais.
Leia a distribuição dos recursos por região:
- Sudeste: R$ 18,4 bilhões;
- Sul: R$ 4,5 bilhões;
- Nordeste: R$ 1,9 bilhões;
- Centro-Oeste: R$ 405 milhões;
- Norte: 361 milhões.
COMO FUNCIONA
Os projetos culturais precisam ser aprovados antes pelo governo para receber dinheiro pela Lei Rouanet. A verba que as empresas destinam a essas ações é abatida do pagamento de impostos.
Antes de um projeto receber de fato o dinheiro, o governo emite uma autorização para que o valor possa ser captado nas empresas. O Poder360 mostrou que em 2025, foram autorizados R$ 20,9 bilhões e efetivamente liberados R$ 3,4 bilhões.
