O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), afirmou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin (independente), estaria mais disposto a fechar um acordo de paz para encerrar a guerra na Ucrânia do que o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky (Servo do Povo, centro). A declaração foi dada em entrevista exclusiva à Reuters no Salão Oval, na 4ª feira (14.jan.2026).
Segundo Trump, a demora para um entendimento não estaria relacionada à posição de Moscou, mas à resistência de Kiev. “Acho que ele está pronto para fazer um acordo”, disse o presidente norte-americano ao se referir a Putin. “A Ucrânia está menos pronta para fechar um acordo”, completou. Questionado sobre por que as negociações lideradas pelos Estados Unidos ainda não encerraram o maior conflito terrestre da Europa desde a 2ª Guerra Mundial, Trump respondeu de forma direta: “Zelensky”.
As declarações evidenciam uma diferença clara entre a retórica de Washington sob Trump e a de aliados europeus, que sustentam que a Rússia não demonstra interesse real em pôr fim à guerra. Ao longo do conflito, líderes europeus têm defendido que Moscou mantém objetivos territoriais amplos na Ucrânia, apesar de participar de rodadas diplomáticas.
A relação entre Trump e Zelensky é descrita como volátil. Embora o contato entre eles tenha melhorado no 1º ano do novo mandato do presidente norte-americano, Trump voltou a demonstrar frustração com o líder ucraniano ao sugerir que ele estaria “tendo dificuldade” para avançar nas negociações, sem detalhar os motivos dessa avaliação.
Em um encontro realizado no fim de dezembro na Flórida, Trump e Zelensky afirmaram que as negociações estavam 95% concluídas. Depois da reunião, o ucraniano disse que a Rússia “mente” para sabotar o acordo.
Nos últimos meses, as conversas conduzidas pelos Estados Unidos passaram a se concentrar em garantias de segurança para a Ucrânia no pós-guerra, com o objetivo de evitar uma nova invasão russa após eventual acordo. De forma ampla, negociadores norte-americanos pressionaram Kiev a abrir mão da região oriental do Donbass como parte de um entendimento com Moscou.
Autoridades ucranianas têm participado das tratativas recentes, conduzidas pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner, genro de Trump. Ainda assim, integrantes de governos europeus colocam em dúvida a disposição de Putin em aceitar alguns dos termos discutidos entre Ucrânia, Estados Unidos e parceiros europeus.
Trump disse não ter conhecimento de uma possível viagem de Witkoff e Kushner a Moscou, mencionada pela Bloomberg. O presidente norte-americano também afirmou que pode se encontrar com Zelensky durante o World Economic Forum, na Suíça, caso ambos estejam presentes, mas indicou que não há planos definidos.
Zelensky, por sua vez, tem rejeitado publicamente qualquer concessão territorial à Rússia. O presidente ucraniano afirma que a Constituição do país não permite a cessão de terras e que Kiev não tem o direito de abrir mão de nenhuma parte do território nacional.
