A rede de farmácias Ultrafarma vai fechar todas as 7 lojas físicas localizadas na avenida Jabaquara, zona sul de São Paulo, para inaugurar uma única unidade de 3.000 m² na zona norte da cidade. O anúncio foi feito pela empresa na 5ª feira (15.jan.2026).
A reestruturação é realizada 5 meses depois da operação Ícaro, do MPSP (Ministério Público de São Paulo), que prendeu temporariamente o fundador e sócio da Ultrafarma, Sidney Oliveira.
Solto após 3 dias, Oliveira era 1 dos investigados em um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais da Sefaz-SP (Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo).
O esquema incluía a manipulação de processos administrativos para liberar a quitação de créditos de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) às empresas participantes. Estima-se que cerca de R$ 1 bilhão em propinas tenha sido movimentado desde 2021.
Além do empresário, foram detidos em agosto de 2025 o diretor estatutário do grupo Fast Shop, Mario Otávio Gomes e Artur Gomes da Silva Neto, supervisor da Difis (Diretoria de Fiscalização) da Sefaz-SP.
Segundo informações do jornal Valor Econômico, o novo empreendimento de 3.000 m² terá, além da venda de medicamentos, uma farmácia de manipulação e uma ótica.
A partir da estrutura, serão feitas entregas expressas para regiões da Grande São Paulo. As entregas para o restante do país continuarão sob o centro de distribuição em Santa Isabel (SP), onde fica a chácara de Oliveira.
A soltura de Oliveira foi autorizada mediante a imposição de medidas como a proibição de contato com investigados e testemunhas, uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, proibição de se ausentar da comarca e entrega de passaporte. Também havia sido estabelecida uma fiança de R$ 25 milhões, que não foi paga de imediato e foi posteriormente suspensa pela Justiça.
Porém, no fim de agosto, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) revogou todas as medidas cautelares impostas ao empresário. Segundo a decisão, a manutenção das restrições não se justificava, porque o MPSP ainda não havia apresentado a denúncia nem se manifestado formalmente sobre o caso.
