A UnB (Universidade de Brasília) está em processo para vender a última quadra residencial totalmente vazia do Plano Piloto: a SQN (Superquadra Norte) 207, na Asa Norte, área nobre da capital federal.
Estudos feitos pela instituição apontam que o terreno de 8.800 m² pode comportar até 12 prédios residenciais. A soma das vendas dos apartamentos deve ultrapassar a casa dos bilhões.
O Poder360 apurou que o terreno da SQN 207 concentra alguns dos últimos lotes ainda disponíveis dentro do Plano Piloto. A área é cobiçada por grandes construtoras da capital. A avaliação das empresas é que a área habitacional de Brasília, especialmente a Asa Norte, já está quase toda preenchida.

As Asas Sul e Norte foram idealizadas pelo arquiteto Lúcio Costa há quase 70 anos para serem as áreas residenciais do plano urbanístico de Brasília. Abrigam as superquadras, um sistema de organização com blocos de edifícios sobre pilotis em grandes áreas verdes. As SQNs concentram alguns dos imóveis mais valorizados da cidade.

PATRIMÔNIO DA UNB
O patrimônio imobiliário da UnB foi concedido à universidade na época da sua fundação, no início dos anos 60, com o objetivo de tornar a instituição independente financeiramente.
A UnB é dona de mais de 1.500 apartamentos. Também tem terrenos, prédios, salas comerciais e outros tipos de imóveis espalhados pelo Distrito Federal. A renda das vendas e aluguéis ajuda a bancar cerca de 40% do orçamento anual.
O processo de venda de patrimônios imobiliários da universidade costuma ter 3 etapas: oferta do lote, a realização de um estudo executivo para definir critérios e normas da operação e, por fim, o leilão. A empresa que vence o certame constrói o empreendimento e transfere à UnB uma parte das unidades habitacionais ou, em alguns casos, imóveis em outras localidades.
VENDA DA SQN 207
Normalmente, a UnB participa da 1ª etapa e deixa o restante do processo com o Sinduscon-DF (Sindicato da Indústria da Construção Civil no Distrito Federal), que organiza a realização do projeto e a disputa entre empresas filiadas à organização.
Para a venda da SQN 207, a instituição optou em 2023 por contratar o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A iniciativa foi da ex-reitora Márcia Abrahão, pré-candidata a deputada federal pelo PT. O objetivo da ex-dirigente ao deixar a realização do projeto a cargo do banco era conseguir um retorno melhor para a oferta dos terrenos e evitar que as empresas tentassem envolver imóveis menos rentáveis na operação.
O objetivo de Abrahão era realizar a oferta ainda no seu mandato, em novembro de 2024, mas questões burocráticas impediram o avanço do processo.
O projeto original apresentado pelo BNDES determinava que a UnB cedesse os terrenos e fizesse uma permuta de imóveis, como é de praxe em outros negócios imobiliários da instituição.
A proposta, no entanto, não agradou a universidade. A avaliação do mercado imobiliário é que a área tem potencial para comportar centros comerciais, hotéis e escritórios. Esse tipo de ativo não interessa à instituição de ensino.
A nova gestão, agora no comando da reitora Rosana Neves, decidiu revisar o projeto, o que travou o avanço para a fase do leilão.
Na 3ª feira (6.jan), a UnB divulgou uma nota dizendo que ainda não tem definido nenhum cronograma para a oferta da SQN 207. Afirmou que vem realizando reuniões sobre o projeto com o BNDES e que solicitou formalmente ao banco a apresentação de uma nova proposta “que contemple contrapartidas consideradas de maior interesse institucional pela Universidade”.
“Assim que essa nova proposta for apresentada, ambas as versões, a original e a revisada, serão submetidas ao Cad (Conselho de Administração), para conhecimento da comunidade universitária e deliberação colegiada, conforme os princípios de transparência e governança institucional”, diz o comunicado.
Há ainda outro obstáculo que preocupa a universidade: a DRU (Desvinculação de Receitas da União), que desvincula 30% das receitas patrimoniais da instituição e remete os valores para o Tesouro.
“Eventual aumento de arrecadação por meio de receitas patrimoniais implicaria, automaticamente, a perda de aproximadamente ⅓ desses recursos. Esse fator tem orientado uma postura responsável e prudente da atual gestão, que busca evitar prejuízos estruturais ao financiamento público da Universidade”, afirma a UnB.
