Desde que Donald Trump voltou ao poder, os Estados Unidos atacaram, ameaçaram ou interferiram em pelo menos 14 territórios na América do Sul, América Central, América do Norte, Europa, Ásia e África. Desse total, 11 têm reservas de petróleo significativas.
O republicano completa o 1º ano do seu 2º mandato na 3ª feira (20.jan.2026). Desde o dia da sua posse, o presidente norte-americano atacou 7 países. Nesse período, também enfileirou ameaças a nações e territórios de quase todos os continentes.
Durante 2025, o Exército dos EUA agiu contra grupos extremistas de Iraque, Somália, Iêmen, Síria e Nigéria. Já em conflitos como os da Faixa de Gaza, Ucrânia e Taiwan, Washington atua dando suporte militar ou mediando negociações.
No Irã, houve interferência direta em junho do ano passado, quando os norte-americanos bombardearam 3 instalações nucleares do país. Na última semana, Trump voltou a ameaçar o governo iraniano com uma ação militar diante da repressão à onda de protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei.
Depois da operação na Venezuela, que capturou o então presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda), novos territórios entraram na mira de Trump. Parte deles, antigos antagonistas de Washington, enquanto outros são alvos inéditos do republicano.
Em 2026, o presidente dos EUA fez ameaças contra Groenlândia, Colômbia, Cuba, México e Irã.

AMEAÇAS
- Groenlândia – em sua ofensiva mais recente, Trump tem declarado que os EUA precisam do território para assegurar a “segurança nacional” e combater a presença de Rússia e China na região. Considera usar as Forças Armadas para anexar a ilha. A Dinamarca, responsável pela defesa da ilha, já rejeitou qualquer possibilidade de aquisição e foi apoiada pelos países europeus, que enviaram tropas para reforçar a segurança no território. Washington tenta negociar um acordo para adquirir a ilha;
- Colômbia – Trump aplicou sanções ao presidente Gustavo Petro em 2025 e o acusa de colaborar com o narcotráfico e vender cocaína para os EUA. Já disse que uma operação militar na Colômbia “soa bem”;
- Cuba – depois da intervenção na Venezuela, Trump disse que o país não receberá mais petróleo venezuelano e sugeriu que os cubanos façam um acordo com os EUA “antes que seja tarde demais”. Já sugeriu que o secretário de Estado, Marco Rubio, seja presidente de Cuba, que é antagonista histórica de Washington;
- México – o país é alvo do republicano desde seu 1º mandato, quando ele sugeriu construir um muro na fronteira. Trump afirma que as autoridades mexicanas falham em conter o narcotráfico e a imigração ilegal. Disse em 8 de janeiro que as drogas estão “jorrando” do país, que os cartéis mexicanos estão “muito fortes” e que cogita atacar as organizações por terra;
- Canadá – durante sua campanha presidencial em 2024 e no 1º semestre como presidente, Trump declarou que “adoraria ver o Canadá ser o 51º Estado” dos EUA e que o país teria vantagens econômicas se fosse anexado. Os 2 países travam uma guerra comercial desde que o republicano voltou ao poder. Autoridades canadenses voltaram a se preocupar depois das ameaças recentes à Groenlândia.
AÇÃO INDIRETA
- Ucrânia – EUA dão suporte militar à Kiev na guerra contra a Rússia. Trump e sua cúpula atuam diretamente na mediação do conflito e pressionam os 2 lados com ameaças por um acordo de paz;
- Faixa de Gaza – aliados históricos e maiores fornecedores de armas do governo israelense, os EUA mediaram o cessar-fogo entre Israel e Hamas e estão à frente do plano de paz em Gaza. Trump já ameaçou interferir no território para forçar o desarmamento do grupo extremista, previsto na 2ª fase do cessar-fogo. Washington tem soldados norte-americanos na região e deve coordenar a Força Internacional de Estabilização que entrará no enclave;
- Taiwan – os EUA não apoiam formalmente a independência do território, mas são o principal fornecedor de armamentos do governo taiwanês. Mantém relações não oficiais com a ilha e uma parceria de importação de semicondutores e eletrônicos. A China pretende reanexar o território. Não está clara qual será a posição de Trump no conflito.
ATAQUES
- Irã – operação Martelo da Meia-Noite bombardeou 3 instalações nucleares iranianas em 21 de junho de 2025. O ataque marcou a entrada dos EUA na guerra entre Israel e Irã. Em janeiro de 2026, Trump voltou a ameaçar ações militares no país diante da onda de protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei;
- Venezuela – Trump atacou o país em 3 de janeiro de 2026 e capturou o então presidente Nicolás Maduro, sob a acusação de que ele colabora com cartéis de drogas. Os EUA apoiam a presidente interina e vice de Maduro, Delcy Rodríguez. Washington interferiu na indústria petrolífera do país e fizeram um acordo para comercializar o commodity venezuelano;
- Iêmen – em março e abril de 2025, os EUA atacaram estruturas comandadas pelo grupo extremista Houthis, apoiado pelo Irã. A organização fez ataques contra Israel e navios no Mar Vermelho desde o início da ofensiva israelense contra o Hamas em Gaza. Também participou da guerra entre Israel e Irã;
- Iraque – a operação de 13 de março de 2025 foi direcionada a células jihadistas ou remanescentes do Estado Islâmico, com o objetivo de reduzir ataques contra civis e forças de segurança locais;
- Síria – EUA atacaram 70 instalações do Estado Islâmico no país em 19 de dezembro de 2025. Foi uma retaliação a um tiroteio que matou 2 soldados norte-americanos uma semana antes. Os bombardeios tiveram como alvo combatentes do grupo, infraestrutura e depósitos de armas;
- Somália – desde o 1º semestre de 2025, os EUA realizam ataques contra o Estado Islâmico e o grupo extremista Al-Shabab, filiado à Al-Qaeda, que trava uma guerra contra o governo local no sul do país. A CIA afirma que as organizações ameaçam o território norte-americano;
- Nigéria – no Natal de 2025, os EUA atacaram grupos supostamente filiados ao Estado Islâmico. Trump acusou as organizações de perseguirem cristãos sistematicamente no país.
