A safrinha 2025/26 já começou a ser semeada em PR, MT e PA, mas as chuvas desaceleram o ritmo. A Conab projeta 18,01 milhões de hectares e 110,5 milhões de toneladas, com janela dependente da soja ainda.

A “safrinha” é o milho que o Brasil planta logo depois da soja, aproveitando o embalo do verão para colher no meio do ano. É um nome que engana: de “pequena” ela não tem nada. O boletim de janeiro da Conab mantém a estimativa em 18,01 milhões de hectares e 110,5 milhões de toneladas, volume grande o suficiente para influenciar ração, carne, leite e até o custo do frete em época de colheita.
É aí que nasce o “efeito dominó”: quando a soja sai tarde, o milho entra tarde, e a janela ideal de plantio pode escorregar para um período menos favorável.
O que já está acontecendo no campo
A Conab registra que o plantio da safrinha 2025/26 começou pontualmente no fim de dezembro e início de janeiro, em áreas do Paraná, Mato Grosso e Pará. O problema é que ele começou em ritmo lento, justamente por causa das chuvas frequentes nas regiões produtoras. Em outras palavras: a engrenagem ligou, mas ainda sem velocidade.

Nesse estágio, é normal que muita coisa ainda esteja “em construção”. O próprio boletim observa que as estimativas de produtividade ainda se apoiam em modelos estatísticos, porque o ciclo está no início e a lavoura ainda vai atravessar as fases mais sensíveis ao clima. É por isso que, neste momento, o foco não é apenas “quanto vai produzir”, mas “quando vai plantar”, porque o calendário é parte da produtividade.
Por que o atraso da soja muda o jogo
O ponto central do relatório é direto: o atraso inicial da soja pode deslocar a janela do milho para épocas menos favoráveis. Quando isso acontece, o produtor pode reavaliar a sucessão e, em alguns casos, até escolher outra culturadepois da soja. Além disso, plantios mais tardios podem vir com redução do pacote tecnológico, o que tende a pressionar o potencial produtivo.
- Chuva demais atrasa operação de campo e limita a entrada de máquinas.
- Soja colhida mais tarde empurra o milho para uma janela mais curta.
- Plantio tardio aumenta a chance de o milho “pegar” condições menos favoráveis adiante.
- Ajuste de tecnologia (menos investimento) é uma resposta comum quando o risco sobe.
A Conab também amarra essa conta ao que vem nas próximas semanas: o progresso da safrinha vai depender do ritmo da colheita da soja, que, segundo o boletim, deve se intensificar em meados de janeiro. É quando o milho tende a “pegar carona” e acelerar.
Por que a safrinha mexe com preços e abastecimento
Quando a safrinha anda bem, ela ajuda a abastecer o mercado interno e segura parte da pressão nos custos de ração, e isso aparece, mais cedo ou mais tarde, na cadeia de proteínas. Quando ela atrasa, o impacto não é automático, mas o risco aumenta: o milho precisa de calendário para atravessar o ciclo com segurança, e atrasos costumam exigir decisões rápidas, como escolher híbridos mais adequados à janela restante e ajustar o nível de investimento.
O boletim mantém área e produção da safrinha neste levantamento, indicando que, por enquanto, a expectativa segue firme: 18,01 milhões de hectares e 110,5 milhões de toneladas. O recado prático é simples: nas próximas semanas, a “chave” do milho estará na transição entre a soja ganhando colheita e o milho ganhando plantio, porque é nessa passagem que o Brasil decide se a safrinha vai cumprir o papel de gigante que ela virou.
Referência da notícia
4º Levantamento – Safra 2025/26. 15 de janeiro, 2026. CONAB.
