Parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil estão em alerta máximo para chuvas extremas ao longo da semana. Novo episódio de ZCAS eleva o potencial para transtornos.
- Mais informações: ZCAS traz condição extrema de chuva para o MG, RJ e ES: 400 mm até o sábado, 24; confira a previsão

O segundo episódio da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) irá provocar uma sequência de quatro dias com chuvas consideradas extremas, com acumulados que podem alcançar 400 mm até o final da semana na região Sudeste.
O fenômeno irá atingir uma ampla área do país, incluindo as regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. No entanto, os maiores volumes previstos de chuva estão sobre estados do Sudeste, que estão em alerta máximo para transtornos como alagamentos, inundações e deslizamentos de terra. Confira os detalhes.
Índice de previsão extrema: alerta máximo para chuvas extremas
O índice de previsão extrema (EFI) do modelo ECMWF, de confiança da Meteored, fornece um alerta quando as previsões do modelo indicam que determinada variável pode apresentar valores significativamente fora do padrão climatológico.
O termo “extremo” refere-se a uma medida estatística baseada na comparação entre a distribuição das previsões e a climatologia (média de longo prazo) do próprio modelo sobre aquela região.
Valores do EFI entre 0,8 e 1 indicam que o evento previsto está entre os mais raros e intensos em relação ao clima normal, sugerindo potencial para condições extremas, como chuvas muito acima do esperado. Isso é destacado pelas áreas em laranja e vermelho nos mapas abaixo.

Destes mapas, destacamos que entre terça (20) e quarta-feira (21) uma ampla área do Brasil está sob alerta para volumes extremos de chuva diária, destacando principalmente os seguintes estados:
- Rio de Janeiro
- Minas Gerais
- Espírito Santo
- Goiás
- Mato Grosso
Nestas áreas, as chuvas vão alcançar valores acumulados entre 200 mm e 400 mm até o sábado (24). Na quinta (22) e sexta-feira (23) os alertas continuam disparados, tanto nas categorias de chuvas ‘incomuns’, entre 0,5 e 0,8, mas também na categoria extrema, especialmente sobre o Sudeste.

A sequência de dias com chuvas intensas sobre a mesma região deve causar diversos transtornos relacionados a enxurradas (volumes elevados em um curto intervalo de tempo), inundações, alagamentos, enchentes e deslizamentos de terra.
Volume de chuva se aproxima de 400 mm
A rodada mais atual do modelo ECMWF segue a tendência das rodadas anteriores e continua indicando que os volumes de chuva podem ficar entre os 300 mm e se aproximar de 400 m nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo até o final do sábado (24).

Este evento terá bastante suporte de umidade vindo da região amazônica e também do Oceano Atlântico, que se encontra com temperaturas acima da média e tendência de aquecimento nos últimos dias.

Tempestades estão previstas para todos os dias da semana nas regiões da metade norte do país, principalmente a partir da tarde. A chuva, por sua vez, deve ocorrer durante a maior parte do dia, intercalando períodos de intensidade fraca, moderada e forte, mantendo-se mais intermitente no Sudeste.
Cuidados para a população
Enquanto a implementação de políticas públicas capazes de reduzir os impactos de eventos extremos avança de forma lenta, a adoção de medidas preventivas individuais torna-se ainda mais essencial.
A atenção deve ser redobrada, sobretudo para moradores de áreas com histórico de alagamentos, enchentes e deslizamentos de terra, que estão entre os grupos mais vulneráveis. Entre as principais recomendações estão:
- Acompanhar atentamente os alertas meteorológicos e as orientações emitidas pela Defesa Civil
- Buscar ajuda ao primeiro sinal de risco, como rachaduras no solo ou em imóveis, inclinação de árvores ou postes, elevação rápida do nível da água e barulhos incomuns
- Evitar permanecer em áreas abertas durante tempestades, especialmente sob árvores, postes ou estruturas metálicas
- Jamais atravessar áreas alagadas, seja a pé ou de carro, devido ao risco de correntezas, buracos encobertos e choque elétrico
- Proteger documentos pessoais e itens essenciais, mantendo-os em locais elevados e guardados em embalagens impermeáveis
- Sempre que possível, ter um plano de evacuação e identificar rotas seguras para locais mais altos
A adoção dessas medidas não elimina os riscos associados a eventos extremos, mas pode reduzir significativamente os danos materiais e, principalmente, preservar vidas. Em situações de emergência, é fundamental acionar os órgãos responsáveis: o telefone da Defesa Civil é o 199, e o do Corpo de Bombeiros: 193
A importância da ZCAS
Diante dos impactos potenciais da ZCAS, é comum torcer para que esses eventos não se concretizem, já que frequentemente resultam em prejuízos à população. No entanto, a atuação da ZCAS entre a primavera e o verão é fundamental para o equilíbrio climático do país, contribuindo para, dentre outras coisas, o abastecimento de água, a geração de energia e a agricultura.

Assim, embora dependamos desses sistemas para a nossa sobrevivência, os danos associados à sua ocorrência não são inevitáveis. Eles podem ser significativamente reduzidos por meio de políticas públicas e iniciativas privadas que fortaleçam os sistemas de alerta precoce, o planejamento urbano e a adaptação das cidades, onde se concentra a maior parte da população.

Medidas como a realocação de populações em áreas de risco para moradias seguras, o fortalecimento da estrutura municipal para resposta a emergências e a adoção de soluções baseadas na natureza (como as cidades-esponjas, a recuperação de encostas, margens de rios e a ampliação de áreas verdes) são fundamentais para reduzir a vulnerabilidade social diante desses eventos.
