O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, afirmou nesta 3ª feira (20.jan.2026) que, dos 4 anos do 3º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a “maior entrega” de desapropriações para a reforma agrária será feita em 2026.
“Dos 4 anos, a maior entrega vai ser em 2026, porque nós viabilizamos recursos orçamentários e extra-orçamentários com destinação à reforma agrária”, declarou o ministro durante participação no programa “Bom dia, ministro”, da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação).
Segundo Teixeira, 230 mil famílias foram incluídas no programa de reforma agrária. Entre fevereiro e março, outras 26 mil serão assentadas.
Sem dar detalhes, Teixeira disse que Lula “deve anunciar um grande pacote de desapropriações para a reforma agrária” na 6ª feira (23.jan), em Salvador (BA). O ministro confirmou que o presidente vai participar do encontro nacional do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), onde deverá divulgar os novos assentamentos.
O MST já havia anunciado a presença de Lula e da primeira-dama, Janja da Silva, no encontro nacional. O evento teve início na 2ª feira (19.jan), no Parque de Exposições Agropecuárias de Salvador e reúne 3.000 delegados de todo o país.
Segundo nota no site do movimento, “ao longo da semana, o Encontro debaterá as normas gerais do MST, sua estrutura organizativa, tática e planejamento para o próximo período”.
A relação entre o governo Lula e o MST teve momentos de tensão ao longo dos últimos 4 anos. Em maio do ano passado, líderes do movimento afirmaram publicamente estar insatisfeitos com a condução de Teixeira no ministério e pediram inclusive sua substituição.
Questionado sobre essa insatisfação do MST, Teixeira respondeu que o ministério teve de ser reconstruído e que, ao longo dos 4 anos, a reforma agrária veio em um ritmo crescente.
“O Ministério do Desenvolvimento Agrário foi extinto no governo Michel Temer (MDB). O governo seguinte, de Jair Bolsonaro (PL), pegou todo o estoque de terras, entregou aos grandes fazendeiros e estimulou a violência no campo, armando os grandes fazendeiros”, disse.
A tarefa, então, de acordo com Teixeira, “foi retomar e recriar o ministério, reconstruir ou criar 65 políticas públicas e, depois disso, viabilizar o orçamento”.
Durante o programa, Teixeira também comemorou o acordo que colocou fim a um conflito agrário histórico de 30 anos no oeste do Paraná. O ministro afirmou que o acordo, celebrado com apoio da AGU (Advocacia Geral da União) e do Ministério da Fazenda, vai destinar 34 mil hectares para 3.000 famílias nos municípios de Quedas do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu.
