A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou nesta 3ª feira (20.jan.2026) o RTA (Reajuste Tarifário Anual) de 2026 da Roraima Energia, com aumento médio de 24,13% nas tarifas cobradas dos consumidores da distribuidora. Os novos valores passam a vigorar a partir de 25 de janeiro. Leia a íntegra do voto do relator (PDF – 748 kB).
Para os consumidores conectados em alta tensão, como grandes indústrias e empresas, o reajuste médio será de 28,93%. Já para os consumidores de baixa tensão, que incluem residências e pequenos comércios, o aumento médio será de 22,90%.
A Roraima Energia pertence ao grupo J&F desde outubro de 2025 e é responsável pela distribuição de energia elétrica no Estado de Roraima, atendendo cerca de 218 mil unidades consumidoras, com faturamento anual estimado em R$ 844 milhões.
Interligação ao SIN explica aumento
Segundo a Aneel, o principal fator que explica o reajuste elevado é a interligação do Sistema Isolado de Boa Vista ao SIN (Sistema Interligado Nacional), efetivada em 1º de janeiro de 2026. A mudança alterou de forma estrutural os custos da distribuidora.
Até então, Roraima operava como sistema isolado, com grande parte dos custos de geração local sendo coberta pela CCC (Conta de Consumo de Combustíveis). Com a entrada no SIN, a distribuidora passou a arcar com despesas que antes não existiam, como encargos setoriais nacionais e custos de transmissão.
Encargos e transmissão pressionaram tarifas
Os encargos setoriais tiveram alta de 80,3% em relação ao processo tarifário anterior, contribuindo com 9,01 pontos percentuais para o reajuste médio. Entre os principais itens estão a CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) e os encargos de operação do sistema, como ESS (Sistema de Armazenamento de Energia, em português), EER (Índice de Eficiência Energética) e Ercap (Encargo de Potência para Reserva de Capacidade), que passaram a ser cobrados após a interligação.
Os custos de transmissão registraram aumento de 1.166%, impactando a tarifa em 4,38%. O crescimento decorre do pagamento do EUST (Encargo de Uso do Sistema de Transmissão) às transmissoras, custo inexistente enquanto Roraima permanecia fora do SIN.
Risco hidrológico entra na conta
Outro fator relevante foi a inclusão do risco hidrológico, que contribuiu com 2,87% para o reajuste. A partir da interligação, a Roraima Energia passou a participar do rateio de riscos associados às usinas hidrelétricas contratadas no mercado regulado, incluindo Itaipu, Angra e usinas cotizadas.
Fatores de alívio não impediram alta
Alguns itens ajudaram a reduzir parcialmente o impacto do reajuste, como a quitação da CDE Conta-Covid, que retirou 1,41% do efeito tarifário, e a queda de 2,8% nos custos de compra de energia. Ainda assim, esses fatores não foram suficientes para neutralizar o aumento estrutural de despesas.
A Aneel afirmou que a maior parte do reajuste decorre de custos classificados na Parcela A, que representam cerca de 72% da tarifa e não são gerenciáveis pela distribuidora. Já a Parcela B, relacionada aos custos operacionais da empresa, teve variação de apenas 1,04%, abaixo da inflação do período.
O reajuste foi relatado pelo diretor Fernando Mosna e aprovado com base nas leis e contratos que regem o setor elétrico. A Aneel afirmou que os custos repassados às tarifas são definidos por legislação e regulamentos setoriais, não havendo margem para discricionariedade do regulador.
