Os parlamentares da UE (União Europeia) concordaram em adiar a ratificação de um importante acordo comercial com os Estados Unidos após o anúncio das tarifas do presidente Donald Trump (Partido Republicano) em relação à Groenlândia. A decisão do Parlamento Europeu se dá em um momento em que o bloco de 27 nações avalia a força de sua resposta caso o republicano concretize suas ameaças.
Segundo o jornal francês Le Monde, o Parlamento planejava uma votação nas próximas semanas sobre a remoção das tarifas sobre produtos industriais dos EUA como parte do acordo. Um atraso não inviabiliza o acordo, firmado em julho de 2025 com Trump, depois de meses de intensas negociações que levaram Washington a impor tarifas de 15% sobre produtos da UE.
Mas, ao suspender a aprovação, os europeus enviam uma mensagem de descontentamento à Casa Branca, o que, segundo parlamentares da UE, deixaria as empresas norte-americanas apreensivas. “É uma alavanca extremamente poderosa –não creio que as empresas concordariam em abrir mão do mercado europeu”, disse a deputada francesa Valerie Hayer, presidente do partido Renascimento (centro), a jornalistas.
Em 17 de janeiro, Trump anunciou uma nova tarifa de 10% a 8 países da Otan (Organização do Atlântico Norte) que se opõem à anexação da Groenlândia pelo governo norte-americano. Os líderes da UE devem realizar uma cúpula de emergência em Bruxelas na noite de 5ª feira (22.jan.2026) para discutir as ameaças dos EUA contra o território autônomo da Dinamarca, a Groenlândia.
O bloco europeu avalia diferentes respostas caso Trump não recue, incluindo a imposição de tarifas de 93 bilhões de euros aos EUA. O pacote de tarifas retaliatórias foi acordado no auge do impasse comercial entre a UE e os EUA no ano passado, mas acabou sendo suspenso até 6 de fevereiro para evitar uma guerra comercial generalizada.
EUA & GROENLÂNDIA
Controlar a Groenlândia não é uma vontade nova de Donald Trump. Ele já havia manifestado interesse na região em 2019, durante seu 1º mandato à frente dos EUA, e depois em dezembro de 2024, antes de tomar posse para um 2º mandato.
O republicano já disse que se não controlar a Groenlândia “do jeito fácil”, então será do “jeito difícil”. Afirmou também, dias depois de os EUA capturarem Nicolás Maduro em uma ação militar na Venezuela, que “não precisa do direito internacional” e que seu poder é limitado apenas por sua “própria moralidade“.
Trump alega que a Groenlândia é fundamental para a segurança nacional dos EUA, para afastar a “ameaça russa” e citou a construção do Domo de Ouro, sistema de defesa para proteger o país de mísseis. O custo estimado do Golden Dome é de US$ 175 bilhões.
Além das ameaças de controlar a região à força, Trump também avalia comprar a Groenlândia e oferecer pagamentos diretos aos moradores da ilha. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou em 13 de janeiro que o território autônomo escolheria seguir ligado à Dinamarca, e não aos EUA.
Trump publicou em seu perfil na Truth Social uma montagem em que ele finca a bandeira dos EUA na Groenlândia
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