O BC (Banco Central) não liquidou o Will Bank, nome fantasia da Will Financeira, junto com o Banco Master em novembro por causa do papel de “inclusão financeira” da empresa. O anúncio só foi realizado nesta 4ª feira (21.jan.2026) depois de uma sobrevida de 2 meses.
A autoridade monetária calculava, em 2025, que o Will Bank administrava 7 milhões de contas de clientes próprios. Os titulares dessas contas são, em sua maioria, clientes das classes C, D e E. Foi o que disse o Banco Central ao TCU (Tribunal de Contas da União) em dezembro. Havia preocupação com a liquidação da Will Financeira, porque os clientes perderiam esse acesso ao sistema financeiro regulado, com efeitos “dificilmente reversíveis”. Apesar disso, a Will Financeira foi liquidada.
A empresa concentra suas atividades em pequenas cidades do interior na região Nordeste, com menos de 100 mil habitantes, segundo dados da autoridade monetária.
O Banco Central disse ao TCU que a Will Financeira seria uma das poucas –e, em alguns casos, a única– oportunidades de inclusão financeira. “Em razão desse perfil de clientes, fica evidente que a liquidação extrajudicial da Will Financeira traria efeitos sociais extremamente adversos e dificilmente reversíveis”, disse o BC à Corte de Contas em dezembro.
O Poder360 já publicou que o Will Bank tinha relevante passivo de clientes titulares de CDBs (Certificados de Depósito Bancário) no valor de R$ 5,7 bilhões em 2025 adquiridos junto a plataformas de investimento. Cerca de 2,5 milhões de clientes próprios aplicaram seus recursos, sendo que o saldo médio era de R$ 300.
Informações públicas mostram que, em setembro de 2025, a Will Financeira tinha um passivo de R$ 6,56 bilhões em depósitos a prazo. O FGC (Fundo Garantidor de Crédito) havia anunciado um aporte de R$ 41 bilhões aos clientes bancários com a liquidação do Banco Master. O valor deverá superar R$ 47 bilhões.
TENTATIVA DO BC
O Poder360 publicou que, em 26 de novembro, o Banco Central defendeu que a liquidação extrajudicial do Banco Master permitiria o funcionamento regular de sua controlada “enquanto se encontram em curso negociações que buscam preservar a atividade da instituição”. Menos de 2 meses depois, a instituição também foi liquidada.
O comunicado havia sido feito na ata da reunião do Comef (Comitê de Estabilidade Financeira), realizada em 19 de novembro e divulgada em 26 do mesmo mês. Eis a íntegra do relatório (PDF – 384 kB).
A autoridade monetária também havia dito, em novembro, quando decretou a liquidação do Banco Master, que o Regime de Administração Especial Temporária do Master se mostrou adequado “tendo em vista a possibilidade concreta” de solução que preserva o funcionamento da sua controladora Will Financeira.
Nesta 4ª feira (21.jan.2026), o Banco Central disse que era “adequada e aderente” ao interesse público a imposição do regime sobre o Master ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Apesar disso, afirmou que a solução não se mostrou viável, uma vez que a Will Financeira descumpriu, em 19 de janeiro, a grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.
“Tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial”, disse o BC.
O Banco Central declarou ainda que atuará para tomar as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis.
Os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição ficam indisponíveis no processo de liquidação extrajudicial.
