A Dinamarca e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) negaram que a soberania da Groenlândia tenha sido oferecida ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). Na 4ª feira (21.jan.2026), Trump cancelou as tarifas que havia ameaçado aplicar a países da Europa depois de se reunir com o secretário-geral da organização militar, Mark Rutte.
O presidente norte-americano afirmou ter avançado em um acordo com a Otan a respeito da Groenlândia –país que os EUA têm tentado controlar. Segundo Trump, conversas entre ele e Rutte teriam levado a um “avanço na estrutura de um acordo futuro em relação à Groenlândia e, de fato, a toda a região Ártica”. Fontes do jornal The New York Times chegaram a afirmar que o acordo determinava que os EUA controlassem “pequenas áreas” do território.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen (Partido Social Democrata, centro-esquerda), afirmou nesta 5ª feira (22.jan) que “não houve negociação com a Otan ontem sobre soberania”.
“O Reino da Dinamarca deseja continuar a manter um diálogo construtivo com os aliados sobre como podemos fortalecer a segurança no Ártico, incluindo o Domo de Ouro dos Estados Unidos, desde que isso seja feito com respeito à nossa integridade territorial”, afirmou ela, segundo a agência Reuters. “É claro que somente a Dinamarca e a própria Groenlândia podem firmar acordos sobre questões que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia”, acrescentou.
A porta-voz da Otan, Allison Hart, também negou que a soberania tenha sido discutida. “O secretário-geral não propôs qualquer compromisso em relação à soberania durante sua reunião com o presidente em Davos”, disse ela, segundo a Al Jazeera.
Hart afirmou que a reunião foi “produtiva” e que a estrutura se concentraria nos “esforços coletivos” dos aliados para manter a segurança no Ártico. “As negociações entre a Dinamarca, a Groenlândia e os Estados Unidos prosseguirão com o objetivo de garantir que a Rússia e a China nunca consigam estabelecer uma presença –econômica ou militar– na Groenlândia”, completou.
Diante do que considerou um avanço, Trump desistiu de impor tarifas de 10% contra Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia por se oporem aos interesses dos EUA na Groenlândia. A medida entraria em vigor em 1º de fevereiro.
Em uma publicação na plataforma Truth Social, Trump também declarou que conversas sobre o Domo de Ouro –projeto de defesa antimísseis voltado à criação de um escudo capaz de detectar e neutralizar ameaças como mísseis– “estão sendo realizadas” e que as negociações ficariam sob responsabilidade do secretário de Estado, Marco Rubio, do vice-presidente JD Vance e do enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff.

EUA & GROENLÂNDIA
Controlar a Groenlândia não é uma vontade nova de Donald Trump. Ele já havia manifestado interesse na região em 2019, durante seu 1º mandato à frente dos EUA, e depois em dezembro de 2024, antes de tomar posse para um 2º mandato.
O republicano já disse que se não controlar a Groenlândia “do jeito fácil”, então será do “jeito difícil”. Afirmou também, dias depois de os EUA capturarem Nicolás Maduro em uma ação militar na Venezuela, que “não precisa do direito internacional” e que seu poder é limitado apenas por sua “própria moralidade“.
Trump alega que a Groenlândia é fundamental para a segurança nacional dos EUA, para afastar a “ameaça russa” e citou a construção do Domo de Ouro, sistema de defesa para proteger o país de mísseis. O custo estimado do Golden Dome é de US$ 175 bilhões.
Além das ameaças de controlar a região à força, Trump também avalia comprar a Groenlândia e oferecer pagamentos diretos aos moradores da ilha. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou em 13 de janeiro que o território autônomo escolheria seguir ligado à Dinamarca, e não aos EUA.
Trump publicou em seu perfil na Truth Social uma montagem em que ele finca a bandeira dos EUA na Groenlândia
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