Estudo internacional aponta queda significativa das chuvas no sul da Amazônia devido ao desmatamento, enquanto dados recentes revelam avanço da exploração ilegal de madeira e alertas sobre riscos socioambientais crescentes.

Um novo estudo publicado na revista científica Nature Communications concluiu que o desmatamento generalizado na Amazônia ao longo das últimas quatro décadas provocou uma redução média de 11% ao ano nas chuvas em partes do sul do bioma. A pesquisa indica que a perda de cobertura florestal vem tornando o clima regional mais seco e instável.
Segundo os cientistas, a remoção da vegetação compromete o ciclo natural da água, afetando diretamente a formação de nuvens e a regularidade das precipitações.
Os pesquisadores analisaram dados satelitais coletados entre 1980 e 2019 e utilizaram modelos climáticos avançados para entender como o desmatamento interfere na circulação de umidade na atmosfera amazônica.
A floresta como “bomba d’água”
A Floresta Amazônica desempenha um papel essencial no equilíbrio climático da América do Sul. As árvores absorvem água do solo e liberam parte dessa umidade para a atmosfera por meio da evapotranspiração, processo que favorece a formação de nuvens e chuvas frequentes.
O estudo alerta que, se o desmatamento continuar nos níveis atuais, os impactos podem se intensificar, afetando a agricultura, o abastecimento de água e a biodiversidade não apenas da Amazônia, mas também de regiões vizinhas.
Avanço da exploração madeireira
Dados recentes reforçam a preocupação dos pesquisadores. Um levantamento da rede SIMEX, formada por ICV, Imaflora e Imazon mostra que os estados com maior exploração legal e ilegal de madeira entre agosto de 2023 e julho de 2024 estão no bioma amazônico.
Mato Grosso lidera o ranking, com cerca de 190 mil hectares explorados, seguido pelo Amazonas, com 46 mil hectares, e pelo Pará, com 43 mil hectares. A pressão sobre a floresta permanece alta, especialmente em áreas de difícil fiscalização.

No sul do Amazonas, o município de Lábrea ocupa a segunda posição no ranking de exploração ilegal, com 12,7 mil hectares de floresta afetados sem autorização. A atividade ameaça diretamente Territórios Indígenas, como a Terra Indígena Kaxarari, localizada entre Amazonas e Rondônia, onde 2.885 hectares foram explorados ilegalmente, segundo o site 18 Horas.
“Quando a exploração ilegal cresce em Terras Indígenas e Unidades de Conservação, isso indica fragilidade nos mecanismos de comando e controle”, afirmou Júlia Niero, analista técnica do Imaflora, destacando a recorrência do problema ao longo dos anos.
Alertas adicionais e decisões judiciais
Além do desmatamento, especialistas chamam atenção para outros riscos na região. Treze entidades científicas publicaram uma nota técnica alertando que a pavimentação da rodovia BR-319 pode aumentar o risco de transmissão de doenças, ao interferir em áreas próximas aos rios Purus e Madeira.
Já em Manicoré, também no sul do Amazonas, a Justiça condenou um homem pela derrubada irregular de mais de 454 hectares de floresta nativa. Ele recebeu multa de R$ 7,3 milhões e terá de apresentar um plano de recuperação ambiental, reforçando a responsabilização por crimes ambientais na região.
Referências da notícia
Instituto Humanitas Unisinos. Desmatamento reduziu chuvas no sul da Amazônia, conclui estudo. 2026
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