A DPF (Dívida Pública Federal) teve o maior aumento anual desde 2025. No ano passado, cresceu R$ 1,3 trilhão: de R$ 7,32 trilhões para R$ 8,64 trilhões –alta de 18%.
O relatório “PAF (Plano Anual de Financiamento) mostrou que os limites para 2026 variam de R$ 9,7 trilhões até R$ 10,3 trilhões. Na prática, o Tesouro reconhece que a dívida vai aumentar em, pelo menos, R$ 1,065 trilhão em 2026, podendo ter uma alta de até R$ 1,665 trilhão.
O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse nesta 4ª feira (28.jan.2026) que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está “atento” às variações do estoque da dívida pública. Defendeu, porém, que a alta anual foi fruto da necessidade de financiamento do Estado e não “uma opção voluntária” na gestão da dívida.
reserva de liquidez
O colchão de liquidez da dívida é uma reserva de dinheiro em caixa para que o governo consiga garantir o pagamento das pendências financeiras. Na prática, o Tesouro Nacional tem uma gordura em caixa suficiente para cobrir meses de vencimento.
O Tesouro Nacional disse que a reserva de liquidez apresentou uma alta de R$ 860,15 bilhões em 2024 para R$ 1,19 trilhão em 2025. A estratégia de aumento se deve às incertezas globais e, principalmente, ao período eleitoral, que provoca mais instabilidades no mercado.
Quanto maiores os juros, mais caro é para o governo se financiar. O secretário do Tesouro declarou que não é o “caminho” e nem é “saudável” ou “sustentável” consumir o colchão de liquidez para reduzir a dívida pública.
Ceron disse que houve uma melhora “consistente” do deficit primário nas contas públicas. A estatística de 2025 será divulgada na 5ª feira (29.jan.2026). O resultado primário calcula o saldo entre as receitas e as despesas, excluindo os juros da dívida pública.
O secretário responsabilizou os juros elevados para a alta do estoque da dívida. Defendeu que há fatores nacionais e internacionais que justifiquem as taxas mais elevadas.
Ceron afirmou que a taxa de juros nos Estados Unidos subiu de forma relevante. O intervalo das taxas do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) permaneceu de 5,25% a 5,50% ao ano de julho de 2023 a julho de 2024. Recuou para 3,50% a 3,75% ao ano em dezembro.
“Embora ainda haja deficit, é uma melhora consistente, cada vez mais próxima do equilíbrio. […] Não é quadro primário que está impulsionando a evolução da dívida e, sim, as condições de financiamento da dívida”, disse Ceron.
O secretário disse ainda que os juros mais altos nos EUA “balizam” as taxas em todo o mundo. Quanto mais altos, mais contracionista será a política monetária global.
“Independente de qual fosse o tamanho do superavit [primário] dificilmente a gente teria uma taxa de juros real inferior ao que se observa no mercado americano”, disse Ceron.
Passe o cursor no gráfico abaixo para visualizar os valores:
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ALTA DE R$ 2,69 TRILHÕES
O volume da Dívida Pública Federal aumentou R$ 2,69 trilhões nos 3 primeiros meses do governo Luiz Inácio Lula da Silva(PT).
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O secretário do Tesouro declarou que um dos fatores domésticos que justificam os juros mais altos são os títulos isentos no mercado. O governo propôs a taxação de LCIs (Letras de Crédito Imobiliárias), LCA (Letras de Crédito do Agronegócio) e outras modalidades de investimentos que não pagam IR (Imposto de Renda). O texto não avançou no Congresso.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse, em outubro de 2025, que era necessário “mexer” na regulação dos títulos de renda fixa, porque as modalidades de investimento disputam com a rolagem da dívida.
A medida foi apoiada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capital). Segundo Ceron, os títulos isentos estão “contaminando” a curva de juros.
SELIC A 15% AO ANO
O secretário do Tesouro disse que cerca de 50% da dívida pública brasileira é corrigida pela Selic. Por isso, o patamar do juro base tem um efeito relevante no custo de financiamento do governo.
“Essa é uma característica do Brasil. Tem a ver com nossos fatores estruturais de poupança de longo prazo. Isso também tem um componente que afeta”, declarou Ceron.
Para ele, o BC está “muito próximo” de atingir os objetivos do ciclo de restrição monetária. “Devemos ter um alívio nesse ciclo e isso ajuda muito a gestão da dívida, o impacto da política monetária sobre a necessidade de financiamento é brutal”, afirmou Ceron.
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