A CNI (Confederação Nacional da Indústria) disse nesta 4ª feira (28.jan.2026) ter recebido com “enorme preocupação” a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a Selic em 15% ao ano. É o 5º encontro seguido que o colegiado do BC (Banco Central) deixa a taxa básica de juros neste patamar, o maior desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano –a taxa ficou neste nível de 1º de junho a 19 de julho de 2006.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estava na reta final de seu 1º mandato naquele ano. Em tom crítico, a confederação afirma que a cautela da autoridade monetária “ignora a queda da inflação e os danos que o atual patamar da Selic causa à sociedade”.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, defende uma flexibilização do juro-base. “O Banco Central deveria ter iniciado o ciclo de redução dos juros há muito tempo. Ao manter a Selic em nível insustentável, o Copom prejudica a economia, aprofundando a desaceleração do crescimento. É indispensável que a flexibilização da política monetária comece já na próxima reunião”, declarou em nota (íntegra – PDF – 327 kB).
O presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Flavio Roscoe, defende uma “política monetária mais equilibrada, que consiga conciliar o controle da inflação com o estímulo ao desenvolvimento econômico e ao fortalecimento da competitividade da indústria nacional”.
A entidade avalia que a Selic nesse patamar “tende a prolongar os efeitos adversos já percebidos na economia, ao restringir investimentos produtivos, encarecer o crédito, elevar os custos de produção e comprometer a competitividade da indústria brasileira e mineira”. Leia a íntegra (PDF – 162 kB) da nota.
CONSTRUÇÃO CIVIL
O presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), Renato Correia, disse que o cenário de juros altos limita tanto a demanda por imóveis quanto a capacidade das empresas de viabilizar novos projetos. Segundo ele, o impacto vai além do crédito habitacional e atinge toda a cadeia produtiva do setor.
“Uma política monetária contracionista encarece o crédito imobiliário, reduz a demanda por novos empreendimentos e desacelera a atividade da construção. Juros altos aumentam os custos, restringem o acesso ao financiamento e afetam a confiança dos investidores”, afirmou em comunicado (íntegra – PDF – 44 kB).
Correia defendeu o corte da Selic: “É necessária uma trajetória de queda dos juros como condição para uma retomada mais consistente da atividade econômica”.
PROJEÇÕES SOBRE CORTE
O colegiado sinalizou que “antevê” o início da “flexibilização da política monetária” no próximo encontro, marcado para os dias 17 e 18 de março. Leia a íntegra (PDF – 41 kB) do comunicado.
“Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, declarou o BC.
A decisão do Copom de manter a Selic em 15% não surpreendeu economistas de mercado, que já projetam qual o patamar de corte na reunião de março, de 0,25 p.p. (ponto percentual) a 0,50 p.p.
A leitura comum é de que o aperto monetário chegou ao fim, embora o processo de flexibilização deva ser gradual, cauteloso e condicionado à evolução da inflação, das expectativas e do quadro fiscal.
Para Pablo Spyer, economista e conselheiro da Ancord (Associação Nacional das Corretoras de Valores), o comunicado reconheceu o arrefecimento da inflação e os efeitos da política monetária, mas manteve alertas importantes. “A mensagem é de que o ciclo de aperto terminou, mas o de afrouxamento será conduzido com serenidade, dependente dos dados, do fiscal, do câmbio e do ambiente externo”, afirmou.
Na avaliação de Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, o mercado segue dividido sobre o ritmo, mas o ambiente recente favorece um movimento maior. “A apreciação do câmbio e a perspectiva de dados mais fracos fortalecem a hipótese de um corte de 50 pontos-base em março”, disse.
Rodrigo Marques, economista-chefe da Nest Asset Management, estima um corte mais conservador. Para ele, o Copom deixou claro que a flexibilização poderá começar em março, mas em ritmo moderado. “O Comitê reconhece a incerteza elevada do cenário e sinaliza cortes de magnitude conservadora, de 25 pontos-base”, avaliou.
Para Lucas Constantino, estrategista-chefe da GCB Investimentos, a principal mudança esteve na retirada do trecho que indicava juros elevados por período prolongado.
Já Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, avaliou que o comunicado foi apropriado ao combinar sinalização de corte com compromisso firme com a meta. “Mantemos a expectativa de corte de 0,50 p.p. na reunião de março e de Selic em 11,50% a.a. ao final de 2026″, disse.
Powered by WPeMatico
