Uma portaria publicada nesta semana no DOU atualizou o ZARC do milho safrinha 2025/26. Saiba onde consultar seu município, escolher solo e ciclo corretos e guardar o relatório: plantar fora da janela pode travar crédito e seguro.

Imagine plantar milho no momento errado e ver toda a colheita comprometida por uma seca inesperada ou uma geada fora de hora. Essa é a realidade que o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) busca evitar, um instrumento criado pelo governo federal para guiar os agricultores brasileiros.
Nesta semana, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou a Portaria SPA/MAPA nº 3, de 21 de janeiro de 2026, atualizando o ZARC especificamente para o milho safrinha, aquela segunda safra que segue a soja e é vital para a economia rural.
Com o clima cada vez mais imprevisível devido às mudanças globais, o ZARC se torna uma ferramenta essencial para mitigar riscos financeiros. Bancos e seguradoras usam esse “calendário oficial” para aprovar empréstimos e indenizações, o que significa que plantar fora das recomendações pode deixar o agricultor na mão.
O que é o ZARC e como ele funciona?
O ZARC é como um mapa climático personalizado para a agricultura, definindo as melhores janelas de plantio por município e estado, baseado em décadas de dados sobre chuva, temperatura e solo. Criado há mais de 20 anos pelo MAPA em parceria com a Embrapa, ele considera riscos como secas ou excessos de umidade, ajudando a evitar que lavouras sejam plantadas em períodos de alto perigo.

No dia a dia, o ZARC orienta não só o plantio, mas também o acesso a recursos públicos. Produtores que seguem as orientações têm prioridade em linhas de crédito do Plano Safra e em seguros rurais, que cobrem perdas por eventos climáticos. Sem ele, o risco aumenta: imagine um farmer em Mato Grosso plantando cedo demais e enfrentando uma estiagem; sem o ZARC como respaldo, o seguro pode negar a cobertura, alegando negligência.
Detalhes da atualização recente
A Portaria nº 3 de 2026 traz inclusões importantes de novas cultivares de milho, adaptadas a condições regionais, sem alterar drasticamente os prazos de semeadura. Por exemplo, no Acre, a variedade DM2890 da GDM Genética foi adicionada, oferecendo maior resistência a pragas e variações climáticas.
Essas mudanças refletem o avanço da biotecnologia, com híbridos que toleram melhor o déficit hídrico e ciclos mais curtos, ideais para a safrinha. Para ilustrar os impactos práticos, veja algumas novidades chave:
- Inclusão de cultivares como a DM2890 no Acre, ampliando escolhas para solos tropicais úmidos.
- Atualizações para milho consorciado com braquiária, promovendo práticas sustentáveis em estados como Mato Grosso.
- Ênfase em variedades resistentes a pragas, reduzindo o uso de defensivos e custos para o produtor.
- Integração com o Plano Safra 2025/2026, exigindo adesão ao ZARC para créditos de médio e grande porte.
Impactos no campo
No Brasil, onde o milho safrinha cobre milhões de hectares e impulsiona exportações, essa atualização abre portas para maior produtividade. Regiões como Paraná e Mato Grosso do Sul, grandes polos da safrinha, ganham flexibilidade com sementes mais adaptadas, potencializando colheitas em cenários de clima instável.
Contudo, desafios persistem: a burocracia para consultar o ZARC por município pode intimidar leigos, e o não cumprimento ainda leva a negativas de cobertura, agravando vulnerabilidades em áreas afetadas pelo El Niño.
Por outro lado, oportunidades surgem com a ênfase em sustentabilidade, como consórcios que melhoram o solo e atraem incentivos verdes. No fim, essa portaria reforça a resiliência do agro brasileiro, equilibrando riscos e inovações para um futuro mais estável no campo.
Referência da noticia
Portaria SPA/MAPA nº 3. 21 de janeiro, 2026. MAPA
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