Em acareação no STF (Supremo Tribunal Federal), realizada em 30 de dezembro, o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa divergiram sobre a origem dos créditos podres adquiridos do Master a partir de janeiro de 2025. Segundo Vorcaro, o Banco de Brasília foi informado que os créditos foram originados pela empresa Tirreno.
Eis o que disse Vorcaro:
“A gente anunciou que faria vendas de originadores terceiros, nem eu sabia do nome Tirreno naquela ocasião, mas a gente [ele e Paulo Henrique] chegou a conversar por algumas vezes, que um novo formato de comercialização, que seria de terceiros, carteiras originadas por terceiros e não mais originação própria”.
O ex-presidente do BRB negou a versão. Disse frente a frente com Vorcaro que acreditava que a origem dos créditos havia sido do próprio Master. “O meu entendimento, que coloquei mais cedo, é que eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas a terceiros e que o Master estava comprando e revendendo para a gente”, declarou Paulo Henrique.
O Poder360 teve acesso a trecho da acareação em vídeo.
Assista (3min32):
A contradição foi explorada pela delegada federal Janaina Pereira Lima Palazzo, que conduziu a acareação entre os executivos. Em seguida, Vorcaro disse que não tinha essa informação.
Ao ser indagado pela delegada sobre o assunto, Paulo Henrique disse que, inicialmente, os créditos foram originados pelo Master que estavam sendo recomprados pela instituição e, depois, o banco seguiu comprando essas carteiras até abril. Segundo ele, em maio, foi identificado um “padrão documental diferente”. E completou: “A partir daí é que a gente começou a questionar quem eram os originadores específicos. Ao longo do mês de maio, recebemos a informação de que eram créditos originados pelo Tirreno”, afirmou.
O ex-presidente do BRB explicou que a empresa Tirreno era uma consolidadora das carteiras de crédito. O Poder360 revelou em reportagem de 23 de dezembro que o Banco Central desconhecia a indústria de créditos que podem ser falsos e que podem ter ajudado a maquiar o balanço do Master.
BANCO MASTER
A PF apura um esquema de fraudes bilionárias contra o sistema financeiro e os suspeitos de bancar a operação são os sócios do Master e fundos de investimento. Desde dezembro, o caso está sob a relatoria do ministro Dias Toffoli, por haver indícios de envolvimento de autoridade com prerrogativa de foro.
A liquidação extrajudicial do Master e do Will Bank representou o maior rombo bancário do país. Segundo as investigações, o esquema consistia na venda de títulos de renda fixa de alto rendimento, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que serviam para financiar fundos de investimento, cujo banco era o único cotista. O MPF (Ministério Público Federal) afirma que o negócio se baseava em circular ativos sem riquezas, forjando artificialmente os resultados financeiros.
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