O diretor de Fiscalização do BC (Banco Central), Ailton de Aquino, afirmou em 30 de dezembro, em depoimento à Polícia Federal, que a autoridade monetária teve certeza das fraudes em carteiras do Banco Master após reunião com representantes da Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A. e da Tirreno.
A única reunião pública com a empresa agendada depois da negociação de aquisição com o BRB (Banco de Brasília) foi em 27 de junho de 2025, na sede do Banco Central, em Brasília.
Aquino declarou à PF que o Banco Central teve certeza da inexistência dos títulos durante reunião com representantes de duas empresas: a Cartos e a Tirreno. Ele afirmou que André Felipe de Oliveira Seixas Maia, sócio da Tirreno, teria dito que “gerou” mais de R$ 6 bilhões em créditos na empresa, o que seria “impossível” dado o porte da companhia.
Aquino declarou à PF que a reunião foi informada em agenda pública, divulgada no site.
O diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino, teve reunião em 27 de julho de 2025 com representantes da Cartos e da Tirreno
Janaina Pereira Lima Palazzo, delegada da Polícia Federal, disse, antes do depoimento, que Aquino seria ouvido “em algo parecido com uma situação de testemunha”.
Aquino tratou sobre a emissão de CCBs (Cédulas de Crédito Bancário) sem lastro do Banco Master. A instituição financeira teve um crescimento exponencial, mas tinha elevados problemas de insolvência e liquidez. O Banco Central acusa a empresa de gestão fraudulenta para maquiar a contabilidade.
A delegada demonstrou interesse sobre o envolvimento da Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A, uma companhia com sede em São Paulo que é investigada por ter “originado” uma carteira de R$ 6,7 bilhões em créditos consignados em operações inexistentes. O Master obteve um pedaço dos papéis da empresa e vendeu ao BRB sem lastro.
A delegada disse à Aquino que houve uma divergência entre os depoimentos do Banco Master e do BRB (Banco de Brasília). Enquanto o Master dizia que os créditos eram verdadeiros, a estatal declarou que o extrato era uma “ficção” e que nunca recebeu os valores.
O Poder360 teve acesso a trecho da acareação em vídeo.
Assista (4min02):
Aquino declarou que está nos autos e na comunicação feita ao Ministério Público Federal o estrato de que o Banco Master informou ter levantado R$ 6,695 bilhões com a Tirreno.
“A Cartos é uma empresa pequena. A Tirreno é uma empresa desconhecida. Quem aparece como Cartos-Tirreno é o senhor André. E eu pergunto várias vezes: ‘Quanto você gerou de crédito?’. Ele começa: ‘Eu girei R$ 50 milhões. Eu girei R$ 30 milhões. Eu girei R$ 50 milhões’. A gente sabia que ele não geraria”, disse o diretor do Banco Central.
Aquino declarou que alguns diretores da Cartos declararam, posteriormente, que nunca “ouviram falar na Tirreno”. E completou: “Ao fim e ao cabo, o André responde: ‘não foi R$ 200 milhões, não foi R$ 300 milhões. Nós geramos R$ 6,2 bilhões. Isso é impossível do ponto de vista técnico”.
O Banco Central identificou que não houve fluxos financeiros de Pix, TEDs ou operações cambiais que lastrem as operações. Ele declarou que o único relacionamento no sistema financeiro da Tirreno é com o Banco Master.
A agenda pública de Aquino mostra que, em 27 de junho de 2025, houve uma reunião entre as seguintes pessoas da Cartos Sociedade de Crédito Diretor S.A.:
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia, sócio da Tirreno;
- Henrique Souza e Silva Peretto, diretor presidente;
- Fabiano Antonio da Costa, diretor;
- Yim Kyu Lee, diretor.
O encontro foi na sede do Banco Central, em Brasília, para tratar de assuntos de supervisão. Em 2 de julho, realizou uma reunião com Vorcaro e Augusto Lima em Brasília. André é um dos investigados pela Polícia Federal no inquérito sobre fraude bilionária do Master.
MEDIDAS DO BANCO CENTRAL
O Banco Central liquidou extrajudicialmente o Banco Master em 18 de novembro de 2025. Acusou a instituição financeira do empresário Daniel Vorcaro de fraudar carteiras de crédito em mais de R$ 11 bilhões.
Em novembro, a autoridade monetária deixou de fora da sanção o Will Bank, instituição financeira que era do conglomerado do Master. Em janeiro, porém, o BC liquidou o Will Bank. Não havia tomado a decisão antes pelo papel de “inclusão” da empresa, que tem maior parcela da clientela composta por classes C, D e E, segundo o Banco Central.
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