O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que a venda do Will Bank estava acertada e seria concluída no mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação do Master, em 18 de novembro de 2025. Segundo ele, o comprador seria o Mubadala Capital, fundo de Abu Dhabi.
A declaração foi dada em 30 de dezembro de 2025, no STF (Supremo Tribunal Federal) durante depoimento, gravado em vídeo, ao qual o Poder360 teve acesso.
Assista ao trecho do vídeo (3m58s):
Os arquivos de vídeo publicados pelo Poder360 estão disponíveis para todas as partes citadas no inquérito e os advogados. O material está arquivado no STF e na Polícia Federal. Os advogados receberam os arquivos completos e compartilharam com seus clientes e assessores. Os vídeos aos quais o Poder360 teve acesso são esses que estão à disposição das defesas dos citados no caso do Banco Master.
Vorcaro afirmou que, na semana da deflagração da operação Compliance Zero, as negociações estavam concluídas e dependiam apenas da formalização contratual. E a venda, diz, foi impedida justamente pela ação da polícia e do Banco Central.
“Nessa semana [da operação] estava concluído. Faltava assinaturas. A 1ª aconteceu na 2ª, do Fictor. No dia seguinte, iria acontecer a venda do Will Bank para o fundo Mubadala. A gente estava com o contrato pronto. Seria assinado no dia 18 pela manhã. E nos outros 3 dias íamos assinar a venda do banco de investimento e a entrada dos investidores estrangeiros. Era um final feliz para o sistema financeiro que foi infelizmente interrompido pela operação.”
Segundo o empresário, a sequência de negócios envolveria não apenas o Will Bank, mas também a alienação do banco de investimento do grupo e a entrada de investidores estrangeiros. Ele afirmou que a deflagração da operação inviabilizou esse desfecho.
Vorcaro reforça a narrativa de sua defesa, de que o Banco Central teria sido apressado ao decretar a liquidação. Nesse caso, ele deixa no ar o argumento de que haveria possibilidade de solução via mercado.
O Will Bank acabou liquidado no dia 21 de janeiro, após a interrupção das negociações citadas por Vorcaro.
Nega amigos políticos
No depoimento, Vorcaro também negou ter influência política que pudesse protegê-lo das investigações. Disse que a situação em que se encontrava contradiz essa narrativa.
“Se eu tivesse todos esses amigos, acha que eu estaria aqui de tornozeleira? A situação que estou mostra que não”.
Durante a mesma sessão, o advogado Roberto Podval se manifestou contra o pedido da Polícia Federal para a extração de dados do celular de Vorcaro. Segundo ele, havia preocupação com o eventual vazamento de informações sem relação com o inquérito.
“O sigilo das comunicações dele –e a nossa preocupação– menos tem a ver com qualquer relação comercial do banco empresarial, mas com relações pessoais e privadas”.
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