O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta 3ª feira (3.fev.2025) que começou a desconfiar do caso do Banco Master nas discussões sobre a PEC da autonomia do Banco Central. Em entrevista à BandNews, afirmou que a desconfiança surgiu da proposta de aumentar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
“Eu só comecei a estranhar esse assunto, entender que era uma coisa preocupante quando começaram a discutir a PEC da autonomia financeira do Banco Central e no âmbito dessa discussão eles queriam aumentar o valor da garantia do FGC porque os R$ 250.000 já não estavam permitindo rodar a bicicleta do Master”, declarou.
Haddad disse que levou o caso Master ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando Gabriel Galípolo assumiu a Presidência do BC. “Desde o primeiro momento, a orientação do presidente da República foi: se há crime leve ao conhecimento da autoridade responsável”, afirmou.
O ministro também disse que nunca conversou sobre o caso com o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto. Segundo ele, durante sua gestão, o caso era “opaco”.
Galípolo participou da reunião com Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2025. Na ocasião, ocupava o cargo de diretor de Política Monetária do Banco Central. Não avisou o então presidente da autarquia, Campos Neto, sobre o encontro com o fundador do Master.
AVALIAÇÃO
Haddad classificou o caso Master como grave e disse estar “perplexo com o tamanho que o problema assumiu”. Defendeu que as investigações avancem para identificar os responsáveis e o destino dos recursos. “Alguém tem que tomar providências e recuperar esse dinheiro. O caminho do dinheiro existe. Esse dinheiro desapareceu. Tem que saber para onde foi”, afirmou.
Sobre a gestão de Galípolo, disse que o BC “tomou as medidas necessárias”. E afirmou: “Se há prática de crime, ele tem que informar as autoridades que investigam o crime. Ele é o supervisor das instituições financeiras”. Haddad citou o acionamento do Ministério Público e da Polícia Federal feito pelo Banco Central.
“Eu penso que o Banco Central já está entregando um bom trabalho na questão regulatória, porque herdou um abacaxi do tamanho que herdou”, avaliou.
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