As longas filas de caminhões na BR-163, em Miritituba (PA), principal terminal de escoamento de grãos do Norte do país, podem se estender até o fim de abril caso não haja atuação da concessionária e da PRF (Polícia Rodoviária Federal), segundo a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).
A situação, registrada por caminhoneiros e compartilhada nas redes sociais, é resultado da falta de um canal de acesso específico para caminhoneiros ao Porto de Miritituba e da falta de supervisão na região no pico do escoamento da safra de soja para o Arco Norte.
“As filas quilométricas de caminhões na transportuária persistem. A formação irregular de filas duplas e triplas precisam ser periodicamente organizadas pela PRF. Caso não haja atuação contínua, com organização permanente do tráfego, a tendência é que essa situação se estenda até o final de abril”, afirmou o diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, Daniel Furlan Amaral, ao Poder360.
Na última semana, há relatos de que a fila chegou a 30 quilômetros, paralisando o trânsito e elevando os custos do transporte. Este jornal digital procurou a PRF para confirmar a informação, mas não houve resposta até a publicação deste texto.
Na imagem, registro feito por caminhoneiros que enfrentam congestionamento para BR-163, no trecho de Miritituba (PA) para escoamento da safra de soja
“A sazonalidade é bem conhecida. A gente tem uma safra de soja seguida por milho. Isso pra falar só do agro. Os problemas a gente acompanha aqui na rodovia desde 2014. E todo ano é a mesma coisa. Tem ali um fluxo enorme de caminhões que só aumenta a cada ano. É uma rota de exportação importantíssima. Os problemas não são atípicos, pelo contrário, são resultados de um contrato sem a devida fiscalização para garantir o acesso portuário definitivo”, afirmou Amaral.
Obras de acesso rodoviário à BR-163 estão atrasadas. A concessionária Via Brasil, responsável pelo trecho, planeja a conclusão do acesso definitivo apenas em 2027. Medidas paliativas, como a pavimentação de trechos críticos e a duplicação de vias, ajudam temporariamente, mas não resolvem o gargalo, segundo a Abiove.
Segundo a Aprosoja Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), o pico da colheita de soja no Brasil vai até meados de março, por isso o período é sinônimo de pico também da utilização das estradas para o escoamento da produção. De fevereiro a junho, junta-se à safra de soja, a colheita da safra de milho verão.
Mesmo que, para o milho, haja mais alternativas de escoamento, o problema se repete todos os anos e tende a se agravar com o crescimento da safra de grãos no Brasil. Cerca de 18 milhões de toneladas de grãos passam pelo corredor logístico, volume que pode saltar para 40 milhões de toneladas até 2035.
Para Furlan, a questão precisa ser debatida e resolvida em nível federal, envolvendo o Ministério dos Transportes, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) por se tratar de um projeto de concessão de serviço público.
“A gente tá falando de uma concessão federal, a gente tá falando de um processo de exportação que é federal, toda uma legislação de trânsito que passa pela ANTT, pelo DNIT e assim por diante. Tem que se garantir uma presença constante de autoridades de trânsito lá”, afirmou Amaral.
ALTERNATIVAS
Considerando a ida e a volta no trecho, o tempo estimado é de quase 10 dias e seria aumentado em pelo menos 2 dias. Cerca de 20% a mais no tempo de logística.
Furlan afirmou que, no longo prazo, seria natural que, ao diversificar as rotas de escoamento –seja pelo Ferrogrão ou por outras saídas, como o corredor Sul, a FICO e a FIOL– o Brasil pudesse escoar os produtos ao menor custo possível. No entanto, os projetos ainda são dependentes de investimentos a longo prazo.
Procurada pelo Poder360, a Via Brasil, concessionária responsável por 1.009 quilômetros das BR-163 e BR-230 que ligam o Mato Grosso, desde Sinop, aos terminais portuários de Miritituba, no Pará, afirmou que a formação de filas na região começou a ser registrada pela equipe de operações em 22 de janeiro de 2026 e, segundo informações levantadas, está relacionada ao processo de credenciamento, chamada e agendamento para recebimento de veículos nos terminais portuários de Miritituba. Segundo a concessionária, no momento, as câmeras de monitoramento registravam ausência de filas na BR-230.
“Os meses de fevereiro e de maio a agosto, em condições normais de operação dos terminais portuários, tendem a ter um fluxo maior de caminhões, que chegam ao local para carregar nas barcaças a safra colhida nestas épocas do ano”, afirmou por meio de nota a Via Brasil.
A companhia também afirmou que o acesso que liga a BR aos terminais portuários passou por obras de melhorias, o que pode estar contribuindo para a formação das filas na região. Este jornal digital procurou, por e-mail, a ANTT e a PRF. Não houve resposta até o momento. O espaço segue aberto para manifestação
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