A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), disse nesta 3ª feira (3.fev.2026) que o caso do Banco Master “é um abacaxi” que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “está descascando”.
A declaração veio ao ser questionada pelo Poder360 sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, não ter informado ao então chefe da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, sobre uma reunião realizada no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024 com o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o presidente Lula. Na época, Campos Neto presidia o BC e Galípolo era diretor de Política Monetária.
Segundo Gleisi, não há constrangimento no governo em relação ao encontro e o Planalto tem adotado uma posição “firme e decidida” sobre o caso.
“O Master nós estamos enfrentando como deve ser enfrentado”, afirmou. “É um caso de fiscalização do Banco Central e de apuração da Polícia Federal. (…) Vorcaro foi preso sob a gestão do nosso governo no Banco Central (…). É um abacaxi que nós estamos descascando e não temos problema nenhum em relação a ele. O governo está tendo uma posição firme e decidida.”
O Poder360 procurou o Banco Central para comentar a reunião com Vorcaro. A autoridade monetária disse que não se manifestará. Diretores do BC têm autonomia e não precisam informar ao presidente do órgão sobre compromissos. Ao manter o encontro em sigilo, Galípolo não infringiu nenhuma norma da instituição.
Em dezembro de 2024, no entanto, já circulavam no mercado rumores sobre problemas de liquidez do Master. O banco oferecia a clientes e a correspondentes bancários CDBs com taxa de rendimento de 140% do CDI, percentual considerado atípico. Ainda assim, Galípolo não comunicou Campos Neto sobre a reunião no Planalto.
A ministra também minimizou, em declarações dadas na 4ª feira (28.jan), as reuniões entre Lula e Vorcaro, alvo de uma investigação sobre o maior rombo bancário da história do país. Segundo ela, o presidente “recebe muita gente, já recebeu outros donos de banco, já recebeu outras pessoas do mercado financeiro”. Registros do GSI mostram que Vorcaro esteve no Planalto ao menos 4 vezes em 2023 e 2024.
Na mesma linha, o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), classificou na 2ª feira (2.fev.2026) como institucional o encontro entre Vorcaro e Lula. Segundo ele, o presidente recebeu vários dirigentes de bancos para tratar de assuntos institucionais. “Um presidente que quer governar de forma democrática tem que estar aberto à sua agenda, ouvir representantes dos diversos segmentos”, afirmou.
Até agora, não há uma descrição detalhada do que foi discutido no encontro de dezembro de 2024. Também não se sabe o motivo das outras 3 visitas de Vorcaro ao Planalto registradas em 2023 e 2024.
Vorcaro foi preso em novembro de 2025 e solto depois de 11 dias. Teve o passaporte apreendido e usa tornozeleira eletrônica. O inquérito é conduzido pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que divulgou as íntegras de depoimentos de investigados.
CPI DO MASTER
Gleisi voltou a afirmar que o governo federal não adota posição institucional sobre a instalação de CPIs ou CPMIs para investigar o Banco Master, apesar de parlamentares do PT apoiarem requerimentos em tramitação no Congresso. Segundo a ministra, a decisão cabe ao Legislativo, e o Executivo vai lidar com o cenário que vier a ser definido.
Na Câmara, o deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou um pedido para a instalação da CPI do Banco Master, com o apoio de 201 parlamentares.
O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) já reúne 257 assinaturas entre membros das 2 Casas, que incluem desde o senador Fabiano Contarato (PT-ES) ao líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).
Apesar das assinaturas suficientes, o movimento é liderado pelo Centrão, que atua para postergar a CPI diante do risco de que uma investigação parlamentar exponha uma rede extensa de relações políticas mantidas por Daniel Vorcaro.
Entre os nomes mais citados com proximidade a Vorcaro estão o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, e Antônio Rueda, dirigente do União Brasil. Ambos teriam participado das articulações para viabilizar a tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), operação posteriormente vetada pelo Banco Central.
Powered by WPeMatico
