Liquidado extrajudicialmente pelo BC (Banco Central) desde novembro de 2025, o Banco Master mantém no ar contas no Instagram, X, e , somando quase 182 mil seguidores.
As últimas publicações nas redes sociais feitas pela instituição financeira foram feitas em 20 de junho do ano passado, para divulgar a participação em um evento na China. No Instagram, o post foi tomado por mais de 1.300 comentários, com usuários cobrando restituições e criticando o banco pelas investigações correntes na PF (Polícia Federal) e no STF (Supremo Tribunal Federal).
O Banco Master acumula 26.200 seguidores no Instagram, 49.000 no Facebook e 106 mil no LinkedIn. A conta no X tem 763 seguidores e está sem movimentação desde setembro de 2021.
Não há em nenhuma rede social do Master a informação de que a instituição foi liquidada.
O único canal oficial do banco que comunicou a liquidação foi o site. Ao acessar o domínio “www.bancomaster.com.br”, é possível ler a mensagem “em liquidação extrajudicial” e uma série de comunicados a respeito do processo de intervenção do BC.
A lei que dá ao Banco Central o poder de liquidar bancos públicos e privados é de 1974. Não há, portanto, nenhuma menção ou restrição ao uso de redes sociais ou canais de comunicação.
O texto também não diz se a instituição que teve as operações interrompidas é obrigada a comunicar a liquidação ao público. Há apenas a determinação de que cabe ao liquidante divulgar a intervenção no Diário Oficial da União e em “jornal de grande circulação do local da sede da entidade”.
Procurado pelo Poder360, o BC disse que não há nenhuma regra que trate sobre o uso de redes sociais no âmbito de liquidações extrajudiciais.
Também procurada por este jornal digital, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) optou por não comentar sobre a manutenção das contas do Master em redes sociais.
LIQUIDAÇÃO DO MASTER
O BC (Banco Central) decretou em 18 de novembro de 2025 a liquidação extrajudicial e o Raet (Regime de Administração Especial Temporária) do Banco Master. A decisão foi divulgada 1 dia depois de o Grupo Fictor ter anunciado a compra da instituição, em conjunto com um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos. A aquisição ainda precisava ser aprovada pelas entidades responsáveis.
A liquidação extrajudicial é um regime de resolução que interrompe o funcionamento de uma instituição e promove a sua retirada do SFN (Sistema Financeiro Nacional). É adotada quando ocorre situação de insolvência irrecuperável ou quando as instituições cometem infrações graves às normas reguladoras. A medida determina a interrupção imediata de todas as operações de uma instituição financeira.
A decisão do BC foi publicada no mesmo dia em que a PF (Polícia Federal) deflagrou a operação Compliance Zero, que prendeu o fundador do Master, Daniel Vorcaro. O banco está no centro das investigações de um esquema de emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o SFN.
Posteriormente, as autoridades concluíram que o banco e seus executivos também estariam envolvidos em fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos e tentativas de socorro, como a do BRB (Banco de Brasília), instituição pública que tentou comprar 49% do capital do Master por R$ 2 bilhões em março de 2025. A operação foi barrada pelo BC.
Segundo as investigações, um dos esquemas do Master consistia na venda de títulos de renda fixa de alto rendimento, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que serviam para financiar fundos de investimento dos quais o banco era o único cotista. O MPF (Ministério Público Federal) afirma que o negócio se baseava em circular ativos sem riquezas que forjavam artificialmente os resultados financeiros.
O caso está no STF, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. O magistrado afirmou que ele é quem decidirá se o processo segue na Corte ou vai para a 1ª Instância. O magistrado vem sendo criticado por ter familiares com conexões pessoais e profissionais com pessoas ligadas ao banco e ao caso.
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