A recondução, à unanimidade, de Roberto Góes à presidência da Federação Amapaense de Futebol não representa apenas a continuidade de uma gestão iniciada em 2002. Ela consolida um ciclo histórico de reorganização e afirmação institucional do futebol amapaense no cenário regional e nacional. Em um ambiente esportivo frequentemente marcado por instabilidade administrativa, a Federação do Amapá construiu uma trajetória singular de harmonia administrativa com os filiados, regularidade competitiva, fortalecimento das categorias de base e modernização de sua estrutura organizacional, cujo ápice é o Centro de Desenvolvimento do Futebol, encarregado de dar vida as mudanças estruturantes no futebol amapaense. O que explica essa longevidade? A resposta passa por planejamento, articulação política e inserção estratégica nos fóruns decisórios do futebol brasileiro e construção coletiva local sem qualquer atrito.
Nos bastidores da Confederação Brasileira de Futebol, o protagonismo amapaense deixou de ser figurativo. A Federação ampliou sua capacidade de interlocução, garantindo participação ativa nas discussões sobre calendário, distribuição de recursos e programas de desenvolvimento. O Amapá, antes periférico no mapa das decisões nacionais, passou a ocupar espaço institucional respeitado. O presidente Roberto Góes ocupou a vice-presidência da CBF e o vice-presidente Netto Góes ocupa o honroso cargo de presidente de grupo do trabalho de Arbitragem da CBF e do grupo de trabalho da CBF que irá implementar o Fair Play financeiro no futebol brasileiro. Essa presença qualificada abriu portas para investimentos, cursos de capacitação, apoio à arbitragem e maior integração às políticas estruturantes da CBF. O futebol local deixou de ser espectador e passou a dialogar em pé de igualdade com outras federações estaduais.
Mas talvez o movimento mais simbólico dessa política de desenvolvimento tenha sido a interiorização do Campeonato Amapaense Profissional da Série A que ocorrerá no campeonato deste ano de 2026. A inclusão do município de Tartarugalzinho no circuito da elite estadual redesenha o mapa do futebol local. Ao levar partidas oficiais para além da capital, a Federação rompe com a lógica concentradora e aposta na descentralização como estratégia de crescimento. O moderno estádio do município torna-se palco de jogos profissionais, movimentando economia, fortalecendo identidade regional e ampliando o alcance social do esporte. O futebol passa a dialogar diretamente com novas torcidas e a gerar oportunidades onde antes havia invisibilidade competitiva do futebol.
Esse processo revela que desenvolvimento esportivo não se resume a resultados em campo. Trata-se de política pública indireta, de inclusão territorial e de visão sistêmica. A gestão que se consolida aposta na continuidade com expansão: mais profissionalização, mais integração institucional e mais presença nacional. A pergunta que permanece no ar — e que desperta a curiosidade do leitor — é até onde pode chegar o futebol amapaense quando articulação política, planejamento estratégico e interiorização caminham juntos. Se o passado recente já alterou o status do Amapá no cenário da CBF, o próximo capítulo promete ampliar ainda mais esse protagonismo silencioso que, aos poucos, transforma estrutura em legado. Roberto Góes renova o vigor e parte para enfrentar os desafios da nova gestão. Então, bola pra frente!
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