A ativista iraniana Narges Mohammadi, 53 anos, foi condenada a 7 anos e 6 meses de prisão pela Vara 29 do Tribunal Revolucionário de Teerã. A informação foi divulgada pela Fundação Narges e pelo seu advogado, Mostafa Nili, neste domingo (8.fev.2026). O governo iraniano ainda não confirmou a nova sentença.
Mohammadi, que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2023 por sua luta contra a opressão às mulheres no Irã, havia sido presa em dezembro de 2025, enquanto participava de uma cerimônia na cidade de Mashhad.

Desde então, o governo iraniano havia impossibilitado o contato de Mohammadi com seu advogado e apoiadores, embora o perfil oficial da ativista no X — administrado por terceiros — estivesse demonstrando constante preocupação com o seu estado de saúde.
Em sua publicação, Nili declarou que foi informado sobre a sentença através de uma ligação telefônica. Durante a chamada, Mohammadi alegou ter sido transferida temporariamente a um hospital — por conta de seu estado de saúde debilitado — tendo retornado recentemente ao centro de detenção onde está presa. O advogado também detalhou a nova sentença atribuída à ativista:
“Ela foi condenada a 6 anos de prisão por ‘conspiração e conluio’, e a 1 ano e meio por propaganda [contra o governo iraniano]. E recebeu uma proibição de viajar por 2 anos”, disse em postagem.
O advogado também afirmou que, com a condenação, a ativista deveria deixar o centro de detenção onde está e ir para uma prisão. Disse também que Narges deve ter a liberdade temporária concedida mediante fiança para que possa receber tratamento médico.
Histórico de prisões
Mohammadi já foi presa inúmeras vezes pelo governo iraniano, sempre em razão de sua atuação política e de direitos humanos. A sequência mais recente começou em novembro de 2021, quando foi detida sob acusações de “conspiração e conluio contra a segurança do Estado” e “propaganda contra o governo”.
Em dezembro de 2024, as autoridades concederam uma licença médica temporária, diante do agravamento de seu estado de saúde após anos de prisão, incluindo problemas cardíacos. A ativista, no entanto, voltou a ser presa em dezembro de 2025, enquanto participava de uma cerimônia em Mashhad.
Seus apoiadores interpretaram o episódio como retaliação direta à continuidade de sua atuação pública, à visibilidade internacional após o Nobel da Paz e ao seu apoio às manifestações desencadeadas pela morte de Mahsa Amini, em 2022.
De acordo com o jornal britânico The Guardian, oficiais iranianos têm sinalizado reagir mais duramente contra dissidências políticas no país. A ação das autoridades seria uma resposta à onda de protestos que eclodiu em dezembro de 2025. Segundo um último balanço divulgado pelo grupo ativista Human Rights Activists News Agency, no dia 27 de janeiro, a repressão já causou a morte de ao menos 6.159 pessoas no país.
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