Vítimas do bilionário Jeffrey Epstein divulgaram um vídeo no domingo (8.fev.2026) durante o Super Bowl, pedindo a Pamela Bondi, chefe do DOJ (Departamento de Justiça dos EUA), que todos os arquivos do caso sejam liberados. Lançado em colaboração com a World Without Exploitation, uma organização de defesa das vítimas do tráfico sexual, o vídeo começa com a mensagem: “Em 19 de novembro de 2025, a Lei de Transparência dos Arquivos de Epstein foi sancionada. 3 milhões de arquivos ainda não foram liberados”.
O projeto de lei sancionado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), obriga o DOJ a divulgar todas as informações da investigação sobre o empresário. Estão nos arquivos e-mails enviados e recebidos por Epstein, conversas com aliados, sócios e lobistas e análises econômicas, além de manuscritos de livros, artigos de notícias e até poesias.
Várias vítimas de Epstein aparecem no vídeo segurando fotografias de si mesmas na adolescência. “Depois de anos mantidas separadas, estamos juntas”, diz a ativista Annie Farmer, segurando uma foto sua do final da década de 1990. “Porque essa garota merece a verdade”, afirma.
“Apoie-nos, diga à chefe do DOJ Pam Bondi que é hora da verdade”, lê-se em mensagem publicada no vídeo.
Assista (40s):
BREAKING: The Epstein survivors are releasing this ad on this Super Bowl Sunday to send the message that they will not “move on” from the largest sex trafficking scandal in the world. #standwithsurvivors pic.twitter.com/JehYZa1hGw
— Jim Acosta (@Acosta) February 8, 2026
O anúncio durante o intervalo do Super Bowl –que tem uma audiência de cerca de 130 milhões de telespectadores nos EUA– se dá depois de o DOJ divulgar em 30 de janeiro mais de 3,5 milhões de documentos relacionados a Epstein. Todos os documentos relacionados ao bilionário podem ser acessados em um site público.
O nº 2 do Departamento de Justiça, Todd Blanche, disse que a ação marcava o fim da revisão dos arquivos pelo departamento. No entanto, a divulgação representou apenas cerca de metade dos aproximadamente 6 milhões de documentos que o DOJ revisou, causando preocupações sobre um possível acobertamento.
Bondi tem enfrentado críticas sobre a forma como o DOJ lidou com as divulgações. No início de fevereiro, o departamento foi forçado a remover milhares de documentos relacionados a Epstein que poderiam ter identificado vítimas, atribuindo a divulgação de informações sensíveis a erros “técnicos ou humanos”.
ATTORNEY GENERAL
O cargo de “attorney general” nos Estados Unidos, atribuído a Pamela Bondi, não tem um equivalente exato no Brasil. É um erro traduzir apenas de maneira literal e dizer que se trata do procurador-geral. Nos EUA, o “attorney general” comanda o DOJ (Department of Justice), que tem funções similares, mas não idênticas, às do Ministério da Justiça brasileiro.
Além disso, o titular do DOJ também representa o governo norte-americano em assuntos jurídicos e, quando solicitado, dá conselhos e emite pareceres para a Casa Branca e outros ministérios. Em determinadas situações, o “attorney general” pode ainda realizar sustentações orais perante a Suprema Corte dos EUA.
O cargo de “attorney general” também acumula algumas funções que, no Brasil, são atribuídas ao procurador-geral da República e ao advogado-geral da União, embora a distribuição de responsabilidades não seja a mesma.
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