O Brasil ficou em 107º lugar no ranking global de percepção da corrupção de 2025, divulgado nesta 3ª feira (10.fev.2026). O levantamento foi produzido pela ONG alemã Transparência Internacional e avalia 182 países. O Brasil manteve a mesma posição de 2024, que é a pior desde que passou a ser analisado, em 2012.
O país subiu 1 ponto no IPC (Índice de Percepção de Corrupção), indicador calculado pela ONG para compor o ranking. O índice varia de 0 a 100, sendo 0 “altamente corrupto” e 100 “livre de corrupção”.
A Transparência Internacional calcula o IPC com base em percepções sobre a corrupção no setor público, utilizando, ao todo, 13 fontes externas. Entre elas, segundo a ONG, estão o Banco Mundial, o Fórum Econômico Mundial, empresas privadas de gestão de riscos, consultorias, think tanks, entre outras.
Trata-se, portanto, de um compilado de opiniões. Para um levantamento com algum grau de confiabilidade, seria necessário fazer uma avaliação rigorosa sobre os resultados das investigações sobre corrupção em cada país, bem como do empenho e da independência de quem investiga. Eis a íntegra do relatório (PDF – 5 MB).

Em 2024, o Brasil somava 34 pontos no IPC, a pior nota da série histórica. Um ano depois, subiu para 35, o que não é considerado um avanço relevante diante da margem de erro. Segundo a Transparência Internacional, o intervalo de confiança da pontuação brasileira varia de 30 a 40 pontos.

Em comparação com outros países da América Latina, o Brasil ficou atrás do Uruguai (17º), do Chile (31º), da Colômbia (99º) e da Argentina (104º). Está à frente do Equador (116º), do Peru (130º), da Bolívia (136º), do México (141º) e da Venezuela (180º), um dos últimos colocados.
No texto sobre as Américas, a ONG afirma que, no Brasil, assim como na Colômbia e no México, “a corrupção tem permitido que o crime organizado se infiltre na política, afetando a vida das pessoas”.
Os primeiros colocados no ranking foram Dinamarca (1º), Finlândia (2º), Singapura (3º), Nova Zelândia (4º) e Noruega (4º). Entre as últimas posições estão empatados em 177º lugar Eritreia, Líbia e Iêmen, seguidos pela Venezuela (180º), Somália (181º) e pelo Sudão do Sul (181º).
Confira o ranking completo:
Além de divulgar globalmente o IPC, a Transparência Internacional Brasil publicou o relatório “Retrospectiva Brasil 2025”. Leia a íntegra do documento (PDF – 4 MB).
No texto, a ONG chama atenção para a presença do crime organizado nas instâncias de poder, mas destaca como fator positivo “a reposta inédita das autoridades federais”, citando como exemplo a operação Carbono Oculto, da PF (Polícia Federal), em parceria com outras instituições.
“Pela 1ª vez, operações de combate às facções criminosas atingiram de forma direta a espinha dorsal financeira do PCC (Primeiro Comando da Capital), desarticulando engrenagens que, durante anos, funcionaram sob roupagem de fundos de investimento, carteiras estruturadas e instrumentos sofisticados de mercado”, escreveu a ONG.
A Transparência Internacional Brasil também alerta para os desdobramentos do caso do Banco Master no sistema judiciário brasileiro. A instituição, controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro foi liquidada extrajudicialmente pelo BC (Banco Central) em novembro e está sob investigação por fraudes.
O relatório da ONG destaca “o contrato multimilionário assinado entre o Banco Master e o escritório da família do ministro Alexandre de Moraes”, do STF (Supremo Tribunal Federal), e critica a conduta do também ministro Dias Toffoli, relator do caso.
Segundo a Transparência Internacional, Toffoli “passou a interferir diretamente no andamento da investigação, inclusive microgerenciando a atuação da Polícia Federal”. A ONG menciona possíveis “conflitos de interesses” do magistrado no caso, pontuando a viagem para Lima feira pelo ministro, acompanhado do advogado do diretor de risco e compliance do Master.
Em relação ao Congresso Nacional, coloca como pontos negativos a “captura do orçamento pelo Legislativo” e as “alterações na Lei da Ficha Limpa, permitindo retorno antecipado de condenados à disputa eleitoral”.
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