O presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Marcio Pochmann, disse, em entrevista ao Poder360 nesta 3ª feira (10.fev.2026), que não há perseguição aos funcionários públicos no principal órgão de estatística do governo federal. Declarou que as discordâncias sobre a gestão fazem parte de um processo democrático e que a rotatividade nos cargos não interrompe o trabalho do instituto.
Segundo ele, o IBGE vive um “excelente momento”, com um redirecionamento “natural” para transformação do sistema estatístico brasileiro. Ele afirmou que a era digital exige mudanças no órgão durante um regime democrático e que é a 1ª vez que há transformação no sistema estatístico em período não autoritário.
Pochmann disse que o processo contém “muito diálogo” e que é normal a discordância para o debate sobre o futuro do órgão.
“Nunca teve transformação do sistema estatístico brasileiro de maneira democrática. Se você olhar a história, as transformações ocorreram em períodos autoritários”, disse.
Questionado sobre as exonerações de funcionários públicos, Pochmann disse que o IBGE segue funcionando e não há perseguição com os trabalhadores.
“Não tem nada a ver a exonerações. As pessoas continuam trabalhando. O IBGE tem 1.911 cargos de confiança. É a 2ª instituição do governo federal com o maior número de cargos de confiança. Tem uma rotatividade, entraram pessoas novas. Não tem perseguição, absolutamente nada disso. As pessoas estão mal-informadas”, declarou ao Poder360.
Ele participou nesta 3ª feira (10.fev) do lançamento do livro “Salário Mínimo no Brasil: 90 anos de História, Lutas e Transformações”, no estacionamento do bloco F, na Esplanada dos Ministérios.
O Poder360 já publicou que Pochmann tem sido alvo de diversas críticas de funcionários e do Assibge (Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE), que o chamam de “autoritário”.
O sindicato diz que a atual administração não dialoga com os trabalhadores sobre as mudanças estudadas. Afirma, por exemplo, que Pochmann quer mudar o estatuto do IBGE sem diálogo e que as alterações afetariam diretamente as condições de trabalho.
Pochmann assumiu o comando do IBGE em agosto de 2023.
Ao menos 4 funcionários públicos entregaram seus cargos depois da exoneração da coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis. A saída da pesquisadora se deu em 19 de janeiro. E se deu por decisão da direção do instituto.
A direção executiva da Assibge se reuniu na 6ª feira com um integrante do governo federal para tratar sobre “sucessivas crises” da presidência de Marcio Pochmann.
“A condução administrativa do Sr. Pochmann tem sido pautada por posturas autoritárias e desrespeito ao corpo técnico da casa, tendo culminado, em 15 de janeiro de 2025, na divulgação de um comunicado à sociedade para desferir ataque inaceitável à integridade ética dos servidores e de seu sindicato”, afirmou a carta, que não tem relação direta com o sindicato, mas foi divulgada espontaneamente pelos técnicos do IBGE.
“PERSEGUIÇÃO” NO IBGE
A Assibge disse, em 27 de novembro de 2025, que o IBGE comunicou aos funcionários a mudança nos cargos de gerência das áreas de atendimento e comunicação social. Afirmou que é “mais um capítulo de caça às bruxas dentro da instituição”.
Segundo o sindicato, a gestão tem feito mudanças sem envolver equipe técnica responsável, num “procedimento atabalhoado e com notórias inconsistências”.
Na 6ª feira (6.fev.2026), o Assibge declarou que ainda há um clima de insatisfação entre o corpo técnico do instituto em decorrência da “exoneração de servidores que não concordam com mudanças propostas pela presidência do órgão”.
Em reunião no Palácio do Planalto, realizada em 30 de janeiro, o Assibge relatou a insatisfação. À Secretaria-Geral da Presidência da República, comandada pelo ministro Guilherme Boulos, que o IBGE passa por uma “conjuntura complexa” provocada por decisões de seu presidente.
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