O deputado federal e líder do Republicanos na Câmara, Augusto Coutinho (PE), disse que “não é justo” que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), herde a culpa da repercussão negativa causada pela aprovação do projeto que aumenta salários de funcionários do Congresso além do teto.
Em entrevista ao Poder360 nesta 4ª feira (11.fev.2026), Coutinho afirmou que o projeto teve a rejeição apenas do Novo e Psol durante a reunião de líderes organizada por Motta. Coutinho diz que votou a favor da pauta na reunião e no plenário.
O projeto aprovado no plenário da Câmara em 3 de fevereiro possibilita que funcionários de ambas as Casas recebam gratificações e bônus que ultrapassam o teto constitucional de R$ 46.000 mensais. A votação foi realizada simbolicamente, ou seja, sem o registro nominal dos votos –decisão acordada também entre os líderes.
“Todo mundo falou a favor. Quando a imprensa vai em cima, a culpa cai sobre só o presidente. O que não é justo a gente ver, inclusive ministros do governo falar, criticar, quando o próprio partido do governo do presidente [Lula] apoiou essa decisão ou sequer disse não”, disse o deputado.
Coutinho também mencionou que há outros penduricalhos existentes no serviço público que não são devidamente elucidados pela mídia, como no Poder Judiciário, Tribunal de Contas e Senado.
“É uma coisa que a gente precisa ter essa responsabilidade é de a gente assumir, porque muitas vezes as decisões que são tomadas no colégio de líderes são decisões difíceis e muitas vezes impopulares, mas necessárias de se fazer.”
O deputado defendeu a proposta de Reforma Administrativa que tramita no Congresso, mas afirmou que os projetos nunca foram priorizados pelos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu, pessoalmente eu acho que é um absurdo você estar com esses penduricalhos todos que existem, não é? É inexplicável perante a população. Os penduricalhos todos nós discordamos”, disse.
Assista (55min50s):
ENTENDA
Trabalhadores da Câmara terão aumento médio de 9%, enquanto o reajuste no Senado pode chegar a 76%. Já a remuneração bruta pode ultrapassar o teto constitucional de R$ 46.366,19.
Dois dias depois, o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), deu 60 dias para os Três Poderes da República suspenderem os chamados penduricalhos, dinheiro vinculado a benefícios pagos fora do teto de remuneração estabelecido pela Constituição e que normalmente são isentos de impostos.
O ministro considerou que todas as verbas que não forem expressamente previstas em lei não podem continuar a ser pagas. Após o prazo de 60 dias corridos, serão suspensas aquelas que não estiverem inseridas em leis votadas pelo Congresso, Assembleias Legislativas ou Câmaras Municipais.
Sobre a decisão de Dino, Coutinho disse que gostou da decisão sobre o projeto “fura-teto”, bem como a atuação do ministro na investigação sobre pagamento de emendas parlamentares.
“Eu achei bom, muito bom parabenizar o ministro pela sua iniciativa e a questão das emendas, eu também achei importante. É importante. Você tem de ter a clareza, a clareza é fundamental”, completou.
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