Os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) vão se reunir no gabinete da presidência, nesta 5ª feira (12.fev.2026), para que o ministro Luiz Edson Fachin informar aos demais sobre o relatório da PF (Polícia Federal) nas investigações de fraudes no Banco Master.
O encontro será fechado e servirá para que os demais ministros também tomem conhecimento sobre a resposta do ministro Dias Toffoli à PF. Todos os 10 ministros foram convocados, inclusive André Mendonça e Luiz Fux —que participaram por videoconferência.
Segundo as informações da secretaria de comunicação do STF, Fachin vai apresentar as conclusões da PF sobre o caso. O presidente da Corte já deu ciência à PGR para se manifestar sobre o caso.
O encontro ocorre poucas horas depois de Toffoli divulgar nota afirmando que ele nunca recebeu quaisquer valores de Daniel Vorcaro, fundador do Master, ou do cunhado do banqueiro Fabiano Zettel, investigados no esquema de fraude. O ministro disse que participou do quadro de sócios da empresa familiar que tinha participação no Grupo Tayaya, que depois foi adquirido por fundos ligados a Zettel. Eis a íntegra (PDF – 68 kB) da nota.
Ainda na 4ª feira (11.fev), o gabinete do ministro afirmou que o pedido de suspeição da PF (Polícia Federal) “não tem legitimidade” porque a corporação não consta como parte no processo que investiga as fraudes no Master. Segundo Toffoli, o pedido trata de “ilações”.
Leia a íntegra da 1ª nota:
“O gabinete do ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte.”
A Polícia Federal não confirma que fez um pedido de suspeição contra Toffoli.
MASTER NO STF
Toffoli é o relator de uma das apurações relacionadas ao Banco Master no STF, que trata principalmente da tentativa de compra da instituição pelo BRB (Banco de Brasília). O ministro mantém a posição de que não há motivo para se declarar impedido de julgar o processo principal sob sua relatoria. Ele já redistribuiu ao menos 2 casos relacionados ao inquérito para instâncias inferiores: a investigação contra o ex-presidente do Rioprevidência (Fundo Único de Previdência Social do Rio de Janeiro), Deivis Marcon Antunes e contra o investidor Nelson Tanure, alvo da 2ª fase da operação Compliance Zero.
O magistrado já havia citado, publicamente, o encaminhamento de tais operações. Em nota publicada em 29 de janeiro, o Toffoli escreveu: “Paralelamente à operação Compliance Zero, outras operações foram encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal, dentre as quais, uma realizada na cidade do Rio de Janeiro, que foi prontamente devolvida à primeira instância, e outra efetivada em São Paulo por determinação da Suprema Corte, trazida ao Supremo Tribunal Federal por iniciativa direta da Procuradoria-Geral da República”.
No mesmo comunicado, Toffoli afirmou que só iria avaliar a transferência do caso Master para a Justiça Federal quando for encerrada a investigação da Polícia Federal. Segundo o ministro, é necessária uma análise prévia pelo STF, sem o prejuízo de nulidades processuais “em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal”.
Advogados do Banco Master, integrantes do Poder Executivo e do Poder Legislativo têm feito pressão contra Toffoli. Querem o ministro fora do caso. Também propagam na mídia que o magistrado só estaria esperando manifestações públicas de apoio –que já vieram de Edson Fachin e de Gilmar Mendes– para se sentir confortável e enviar tudo para a 1ª Instância. Essa interpretação tem sido feita por pessoas e jornalistas que não conversam com Toffoli.
O Poder360 ouviu de vários interlocutores do ministro que ele não demonstrou a menor intenção de deixar a relatoria da investigação que imputa fraudes ao Banco Master –e que resultaram em um rombo de R$ 47,3 bilhões, o maior da história bancária brasileira. Toffoli tem afirmado de maneira resoluta que pretende que o caso resulte em medidas estruturantes para dar mais segurança ao mercado financeiro brasileiro.
O ministro acredita que o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários foram tímidos nas ações para conter as fraudes do Master. Não acredita que possa ter havido má-fé, mas pelo menos atitudes inadvertidas ou falta de estrutura regulatória. Toffoli vê fragilidade no sistema e entende que a investigação possa, ao final, ajudar a construir um arcabouço regulatório que seja mais sólido.
Toffoli também tem demonstrado irritação com a Polícia Federal. Acha que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, tem sido menos aplicado do que deveria em algumas ações.
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