A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou o tratado comercial entre a UE (União Europeia) e o Mercosul com 203 votos favoráveis, 42 contrários e 4 abstenções. A votação foi realizada na 5ª feira (12.fev.2026) em Buenos Aires, quase 1 mês depois da assinatura oficial do acordo entre os blocos, realizada em 19 de janeiro deste ano. O tratado seguirá agora seu trâmite legislativo na Argentina.
O pacto estabelece um espaço econômico integrado que abrange mais de 700 milhões de pessoas, representando cerca de 30% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial e aproximadamente 35% do comércio global. O acordo estabelece a eliminação progressiva de 92% das tarifas para exportações do Mercosul para a UE e 91% nas taxas de importação. No setor agrícola argentino, a eliminação de tarifas tem potencial de alcançar 99% dos produtos.
A aprovação contou com apoio de diferentes grupos políticos, incluindo cerca de metade dos integrantes da Unión por la Patria, principal bloco de oposição. Germán Martínez, líder deste grupo, votou a favor do tratado.
Juliana Santillán, presidente da Comissão de Relações Exteriores e integrante do partido La Libertad Avanza, do presidente Javier Milei, declarou, segundo o jornal La Nación: “O objetivo é ampliar e facilitar o comércio de bens e serviços, reduzir as barreiras tarifárias e para-tarifárias, promover a segurança jurídica e fortalecer a integração em cadeias globais de valor. Falamos de fomentar os investimentos produtivos e garantir mecanismos transparentes de resolução de controvérsias.”
O deputado Damián Arabia, presidente da Comissão do Mercosul, falou sobre a importância do acordo: “Por que é tão importante para a Argentina? Porque ganhamos acesso preferencial a um mercado altamente relevante, que permitirá eliminar tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul para a UE e sobre 91% das importações destinadas à nossa região”.
Entre os críticos, Santiago Cafiero (Unión por la Patria, peronista), advertiu que se trata de “um mau acordo” por abrir “de maneira indiscriminada o mercado para a indústria, especialmente a metalmecânica, automotiva e têxtil”.
No Brasil, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), também ministro do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), afirmou na 4ª feira (11.fev) que o acordo entre Mercosul e UE pode ser aprovado pela Câmara até o fim de fevereiro.
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