Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta 5ª feira (26.fev.2026) indicou que 45,4% dos brasileiros interpretaram o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como propaganda eleitoral antecipada.
Questionados sobre qual das afirmações apresentadas refletia melhor sua opinião acerca do desfile, 47,9% dos entrevistados responderam que “a homenagem está dentro da legalidade e faz parte da liberdade de expressão da escola”, enquanto 45,4% afirmaram que “foi propaganda política antecipada que consiste crime eleitoral e deve ser punida pelo TSE [Tribunal Superior Eleitoral]”. Outros 6,8% disseram não saber. Eis a íntegra da pesquisa (PDF – 9 MB).

O levantamento fez uma série de perguntas sobre o desfile da Acadêmicos de Niterói deste ano, cujo enredo era “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A escola, que fazia sua estreia no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, foi rebaixada para o Grupo de Acesso.
Segundo a pesquisa, só 3,6% disseram não ter ficado sabendo do desfile em homenagem a Lula. A maior parte dos entrevistados –68,9%– afirmou ter acompanhado o evento por cortes ou comentários na internet, enquanto 27,5% responderam que assistiram à maior parte ou todo o desfile.

Participação do Governo Federal
O levantamento mostrou ainda que 40,9% acham que o governo federal não teve qualquer participação ou interferência, pois o desfile foi totalmente produzido pela escola de samba. Por outro lado, 32,8% dos eleitores acreditam que houve participação ativa do governo na idealização de elementos do desfile, e 14,4% consideram que “talvez” tenha havido algum envolvimento na produção. Outros 11,9% não souberam opinar.

Além disso, a maioria dos entrevistados opinou que Lula deveria ter aceitado a homenagem da Acadêmicos de Niterói. Para 30,9%, o presidente deveria ter aceitado e participado do evento, enquanto para 29%, ele deveria ter aceitado, mas mantido distância. Outros 35,5% responderam que Lula deveria ter recusado a homenagem, enquanto 4,6% disseram não saber.

A pesquisa entrevistou 4.986 brasileiros por recrutamento digital aleatório de 19 a 24 de fevereiro. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
NEOCONSERVADORES EM CONSERVA
A pesquisa também ouviu os eleitores sobre o elemento mais controverso do desfile da Acadêmicos de Niterói: a ala chamada de “neoconservadores em conserva”.
A fantasia consistia em uma lata de conserva com o desenho de uma família formada por pai, mãe e duas crianças –uma menina e um menino. A escola, segundo descrição da agremiação, escolheu 4 representantes dos “grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo”: o agronegócio, uma mulher de classe alta, defensores da ditadura militar e “grupos religiosos evangélicos”.
A ala repercutiu entre políticos de direita, que criaram uma “trend” nas redes sociais com ilustrações criadas por IA (Inteligência Artificial) com fotografias de suas próprias famílias estampando latas “em conserva”. O deputado Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, escreveu em sua lata abaixo do retrato familiar: “conservados por Jesus Cristo”.
A AtlasIntel perguntou aos eleitores se tinham visto ou ouvido falar da “alegoria chamada ‘família em conserva’ que fez parte do desfile”. Só 12,7% responderam que não tinham visto nem ouvido falar. Já 60,6% disseram ter acompanhado cortes e comentários da internet, e 26,7% afirmaram ter visto diretamente ao vivo.

A representação das famílias nas latas em conserva, no entanto, dividiu opiniões. 41,8% disseram que se tratou de uma “crítica legítima a um falso conservadorismo”, enquanto 32,9% viram na ala “uma zombaria ofensiva aos valores tradicionais” e 10,2% uma “forma de intolerância religiosa”. Outros 9,1% responderam se tratar de “apenas um elemento de humor no Carnaval” e 6% disseram não saber avaliar.

Mais da metade dos eleitores (56,2%) disse que não se sentiu nada ofendido com a alegoria. Porém, 31,8% afirmaram que se sentiram “muito ofendidos” e 7,4% que se sentiram “um pouco ofendidos”. Outros 4,6% não souberam opinar.


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