O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, disse nesta 2ª feira (2.mar.2026) que o país não negociará com os Estados Unidos.
A declaração contradiz o presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), que declarou no domingo (1º.mar), à revista The Atlantic, que os líderes iranianos tinham interesse em retomar as negociações e que ele concordou em dialogar.
“Eles querem conversar e eu concordei em conversar, então vou falar com eles. Deveriam ter feito isso antes. Deveriam ter oferecido algo que era muito prático e fácil de fazer antes. Esperaram demais”, disse Trump à revista norte-americana.
Em uma publicação na rede social X, Larijani negou uma informação publicada pelo Wall Street Journal de que ele teria tomado a iniciativa para retomar as negociações com os EUA por meio de intermediários do Sultanato de Omã.
“Não negociaremos com os Estados Unidos”, escreveu o secretário de segurança do Irã.

Em outro post, o secretário disse que “Trump mergulhou a região no caos com ‘falsas esperanças’ e agora está preocupado com mais baixas entre as forças norte-americanas”.
Ele escreveu: “Com suas ações delirantes, ele transformou seu próprio slogan ‘América Primeiro’ em ‘Israel Primeiro’ e sacrificou soldados norte-americanos pelas ambições de poder de Israel. Com novas mentiras, ele mais uma vez impõe o preço de seu culto à personalidade aos soldados e famílias norte-americanas. Hoje, a nação iraniana está se defendendo. As forças armadas iranianas não iniciaram a agressão”.


Em um discurso de 6 minutos de duração, Trump afirmou no domingo (1º.mar) que os EUA vão vingar a morte dos 3 militares mortos durante a retaliação iraniana. Disse também que a ofensiva no Irã vai continuar até que todos os objetivos militares sejam atingidos.
“Eu, mais uma vez, exorto a Guarda Revolucionária, os militares iranianos e a polícia a deporem as armas e receberem imunidade total ou enfrentarem a morte certa. Será morte certa. Não será bonito”, disse o presidente norte-americano.
ESCALADA NA TENSÃO
O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.
Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.
No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.
As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.
Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.
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