O vice-chefe do conselho político do Hezbollah, Mahmoud Qmati, afirmou nesta 3ª feira (3.mar.2026) que o grupo considera encerrado o período de contenção adotado depois do cessar-fogo firmado em 2024 com Israel. Em declaração direcionada aos moradores do sul do Líbano, ele disse que a organização manteve “paciência” para evitar nova escalada e dar espaço às negociações conduzidas pelo governo libanês.
“Temos afirmado repetidamente que a paciência tem limites e enviamos mensagens de que não podemos mais tolerar a morte de nossos cidadãos e jovens e a destruição de nossas casas, mas fomos acusados de fraqueza”, declarou em comunicado divulgado pelo jornal digital Naharnet. O grupo extremista já reivindicou o lançamento de foguetes contra o norte de Israel na 2ª feira (2.mar).
Segundo Qmati, o Hezbollah cooperou “de forma plena e positiva” em temas nacionais e cumpriu o acordo de cessar-fogo, inclusive com a entrega de armas ao sul do rio Litani. Ele afirmou que, apesar disso, Israel manteve ações militares diárias no território libanês. “O resultado foi a agressão contínua contra nossa pátria”, disse, acrescentando que o governo de Beirute não obteve avanços na libertação de prisioneiros nem na reconstrução das áreas atingidas.
O dirigente também criticou o Executivo libanês. Para ele, o governo “não valorizou nem respeitou essa paciência”, teria feito concessões “gratuitas ao inimigo” e mantido uma política de “estrangulamento”. Qmati afirmou ainda que o Estado “se opõe à resistência contra a ocupação” e permanece em silêncio diante do que chamou de violações.
Qmati afirmou que a atual ofensiva israelense era planejada. “Essa nova agressão contra o Líbano foi premeditada. Não precisava de pretexto; iria acontecer mais cedo ou mais tarde”, disse. Em tom de desafio, acrescentou: “A era da paciência terminou, não nos resta opção senão voltar à resistência”.
Ele elevou o discurso ao afirmar que, se Israel deseja uma guerra aberta, o grupo está disposto a enfrentá-la. “O inimigo quer uma guerra aberta, que não cessou desde o acordo de cessar-fogo. Então que seja uma guerra aberta. Deus é nosso ajudador, e a vitória pertence à pátria, ao povo e à resistência”, declarou.
As declarações foram feitas em meio à intensificação de ataques israelenses contra alvos do Hezbollah no Líbano e no Irã. O governo de Israel tem afirmado que reage a ameaças do grupo xiita e já indicou que ampliará a ofensiva caso os disparos de foguetes continuem. O ministro de Defesa de Israel, Israel Katz, disse que o Hezbollah “pagará o preço” por novos ataques.
No sábado (28.fev), Israel, em conjunto com os Estados Unidos, lançou uma ofensiva militar contra o Irã, que resultou na morte do líder supremo do país persa, o aiatolá Ali Khamenei, e de várias autoridades do alto escalão.
ESCALADA NA TENSÃO
O ataque dos EUA ao Irã foi realizado depois de semanas de tensão entre os 2 países. Em 19 de fevereiro, Trump afirmou que, em até 10 dias, saberia se deveria dar “um passo adiante” em relação a um ataque contra o país persa.
Depois, o republicano declarou que todos, incluindo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Dan Caine, consideram que uma eventual guerra contra o Irã resultaria em uma “vitória fácil” dos norte-americanos.
No discurso do Estado da União, na 3ª feira (24.fev), Trump disse que os EUA ainda não tinham ouvido o Irã pronunciar “aquelas palavras mágicas: ‘nunca teremos uma arma nuclear’”. No pronunciamento, o presidente norte-americano afirmou que o regime persa “já desenvolveu mísseis que podem ameaçar a Europa e as nossas bases no exterior, e está trabalhando para construir mísseis que, em breve, chegarão aos EUA”.
As declarações de Trump foram feitas enquanto o país realizava conversas diplomáticas com o Irã, que não resultaram em acordo.
Uma autoridade sênior do Irã disse à Reuters que o país estaria disposto a fazer concessões aos EUA se os norte-americanos reconhecessem o seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos e suspendessem as sanções econômicas.
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