Os ministros das Finanças do G7 discutem nesta 2ª feira (9.mar.2026) a possibilidade de liberar petróleo das reservas estratégicas mantidas por países consumidores, em coordenação com a IEA (Agência Internacional de Energia). A reunião de emergência se dá após a forte alta dos preços provocada pela guerra envolvendo o Irã.
O encontro será realizado por videoconferência às 9h30 (de Brasília) e contará também com a participação do diretor-executivo da IEA, Fatih Birol. Segundo autoridades familiarizadas com as conversas, ao menos 3 integrantes do G7 —incluindo os Estados Unidos— manifestaram apoio inicial à liberação coordenada de estoques. As informações são do Financial Times.
Os países membros da IEA mantêm reservas estratégicas como parte de um sistema coletivo criado para responder a choques energéticos e oscilações abruptas nos preços. A estrutura foi criada em 1974, depois do embargo petrolífero imposto por países árabes, que provocou escassez de combustível e disparada nos preços no mundo ocidental.
Autoridades americanas discutem a possibilidade de liberar de 300 milhões a 400 milhões de barris, o equivalente a cerca de 25% a 30% das reservas públicas mantidas pelos integrantes da agência, que somam aproximadamente 1,2 bilhão de barris. Documentos internos da IEA indicam ainda a existência de cerca de 600 milhões de barris adicionais mantidos pela indústria petrolífera, que também poderiam ser usados em caso de emergência.
Esses estoques, somados, seriam suficientes para cobrir quase 1 mês da demanda total de petróleo nos países da agência ou cerca de 140 dias das importações líquidas. Estados Unidos e Japão concentram cerca de 700 milhões de barris do volume total mantido pelos governos.
Conflito gera escalada abrupta nos preços
A discussão se dá depois de uma escalada abrupta nos preços do petróleo desde o início do conflito no Golfo. O Brent, referência internacional, chegou a subir 24% durante as negociações na Ásia nesta 2ª feira, alcançando US$ 116,71 por barril. Mais tarde, reduziu parte dos ganhos e era negociado perto de US$ 110,85, ainda com alta próxima de 19%. O WTI, referência americana, também chegou a ultrapassar US$ 116 antes de recuar para cerca de US$ 108.
O avanço das cotações levanta preocupações sobre inflação global e desaceleração econômica. Grandes importadores de petróleo, como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Itália e Espanha, são considerados especialmente vulneráveis a choques de preço.
EUA
Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina subiu para US$ 3,45 por galão no fim de semana, ante US$ 2,98 registrados uma semana antes.
O presidente Donald Trump (Partido Republicano) minimizou a alta. Em publicação na rede Truth Social, escreveu: “Os preços do petróleo no curto prazo, que cairão rapidamente quando a destruição da ameaça nuclear do Irã terminar, são um preço muito pequeno a pagar pela segurança e pela paz dos Estados Unidos e do mundo.”
A eventual liberação coordenada de reservas representaria mudança de posição do governo americano. Na semana passada, integrantes da administração afirmaram que recorrer aos estoques estratégicos não seria necessário para estabilizar o mercado. Entretanto, analistas do setor avaliam que a magnitude da alta recente deixou poucas alternativas aos formuladores de política energética.
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