O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu a mobilização de deputadas para impedir o funcionamento da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara 1 dia depois da eleição de Erika Hilton (Psol-SP) para a presidência do colegiado, na 4ª feira (11.mar.2026).
O partido Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), foi além e protocolou, na 6ª feira (13.mar.2026), um pedido de cassação da deputada.
“As deputadas mulheres não deveriam deixar a comissão de mulheres acontecer. Obstruir e fazer uma zorra até mudar a presidência. É o cúmulo aceitar isso”, escreveu Nikolas em sua conta no X (Twitter), na 5ª feira (12.mar.2026).

O congressista também chamou de “absurdo” a escolha de Hilton, que é uma mulher trans, para comandar o colegiado.
O pedido de cassação foi assinado pelo presidente nacional do Missão, Renan Santos, e será defendido pelo deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), 1º parlamentar filiado ao novo partido do MBL.
A representação será analisada pelo Conselho de Ética da Câmara, que poderá recomendar sanções que vão desde advertência até a perda do mandato.
Na representação, o Missão alega que Hilton teria insultado críticos ao escrever em suas redes sociais, depois da eleição, que “a opinião de transfóbicos e imbeCIS pouco me importa”.
O termo “cis”, em caixa alta, refere-se a pessoas cisgênero, ou seja, àquelas cuja identidade de gênero corresponde ao sexo atribuído no nascimento.
Nikolas e Kim integram a ala da direita que argumenta que Hilton, por não ser uma mulher cisgênero, não pode representar os anseios do público feminino no Brasil.
Em vídeo de quase 9 minutos publicado nas redes sociais, Nikolas compartilhou um trecho de discurso seu que viralizou em 2023, no qual aparece de peruca e diz se chamar “Nicole”, como forma de protesto ao que chama de “ideologia de gênero”.
Assista ao vídeo (9min9s):
“As mulheres estão perdendo seu espaço para homens que se sentem mulheres”, diz no trecho. No fim do vídeo, Nikolas chama Erika de “ele”.
Além de pedir a obstrução da comissão, Nikolas também assinou e divulgou um abaixo-assinado digital intitulado “Pela Representatividade Feminina na Presidência da Comissão da Mulher”.
O documento virtual reunia 248.000 assinaturas na manhã deste sábado (14.mar.2026).
O texto defende que a condução dos trabalhos do colegiado deve priorizar temas como saúde da mulher e combate à violência doméstica, com representação política feminina e sob uma perspectiva que “não dilua a identidade biológica da mulher”.
ELEIÇÃO DE ERIKA
A eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher ocorreu na 4ª feira (11.mar.2026). É a 1ª congressista trans a comandar o colegiado na história do Congresso.
A deputada do Psol recebeu 11 votos. A 1ª vice-presidência será de Laura Carneiro (PSD-RJ). Outros 10 congressistas votaram em branco.
Hoje, a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) ocupa a presidência do colegiado.
Erika Hilton atribui as críticas à LGBTfobia e reafirma o compromisso com o trabalho na comissão.
“Sob protestos dos LGBTfóbicos e dos defensores do PL do Estupro, do PDL da Pedofilia e dos red pills, assumi a presidência da Comissão da Mulher”, declarou a parlamentar na Câmara e em publicação nas redes sociais.
A deputada paulista afirma que assumir o cargo “incomodando essa trupe nojenta e odiosa demonstra a gravidade da situação em que nosso país se encontra”.
“Estamos em uma onda de feminicídios, a misoginia não para de crescer, o Judiciário está relativizando o estupro de vulnerável e a pedofilia”, disse.
Hilton caracteriza as reações contrárias à sua eleição como manifestações de preconceito contra a população LGBTQIA+.
A deputada também move processo judicial contra o apresentador Ratinho, do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão).
A ação decorre de declarações feitas pelo comunicador em seu programa. Ratinho afirmou que mulheres trans não são mulheres. A deputada pede a prisão do apresentador por transfobia.
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