Lendo um dos livros de Miguel Nicolelis, cientista brasileiro que dignifica a todos nós desta pátria, Nada Mais Será Como Antes (ficção científica), deparei-me com uma frase que me deixou profundamente tocada, sensibilizada:
“… até o fim dos tempos, permitiria, a quem quer que assim o quisesse, experimentar em todo seu esplendor quão precioso foi se sentir simplesmente humano.”
Impossível não fazer uma correlação com os fatos atuais encenados em um palco de total descaso com o ser humano, onde golpes e golpistas desfilam nas manchetes e “cortinas de fumaça” com a cara lavada de quem não tem identidade, apenas PREÇO, o contrário de apreço pela humanidade.
Fatos constrangedores: fraudes, roubos e rombos, desfalques monetários e morais, assaltos às instituições e à fé… Afinal o que importa é a conta bancária, o PIB e outras querelas oriundas do esquema nada lógico do roubo oficializado em juros e demandas dos balanços subservientes às grandes potências.
Nesta encenação apoteótica, que contradizendo a palavra nada tem de grandiosa, há um tumulto constante, onde não se consegue detectar, de pronto, os verdadeiros objetivos dos atos e desatinos, principalmente, dos governantes. Trata-se de um bailado grotesco de máscaras.
Há de se salientar que há governantes e há governantes. Não se pode sepultar todos na mesma vala comum dos insanos que despejam bombas e estrangulam os povos. Assim como há navegantes e há navegantes.
Observando-se com atenção é possível ver por entre nuvens que nessa peça atrás do biombo é onde se escondem os monstros, os quais manipulam desde suas ilhas fortificadas as doses de tortura para a humanidade.
Todavia , embora, contudo e apesar de tudo, somos todos partícipes neste enredo vivenciado e poderemos optar por nos identificar com a energia daqueles que abraçam o semelhante próximo ou distante sem querer usurpar seus bens ou riquezas.
Talvez assim possamos ao final da travessia nos conectarmos com os bibliotecários do “eterno céu azul dos mongóis” ( da obra a que nos referimos) e sentirmos o quão precioso é sermos simplesmente humanos.
Nós, varredores de rua, entregadores, musicistas, diaristas, enfermeiras, cientistas, professores, artistas, matemáticos, comerciantes, fabricantes…
Nós, simplesmente humanos, independente do uniforme ou farda, ou fardo, ou crachá.
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