A Polícia Federal investiga a deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) por suspeita de manter vínculos diretos com autoridades do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). A congressista teria atuado para obter vantagens ilícitas na estrutura administrativa federal. A investigação resultou na Operação Indébito, deflagrada nesta 3ª feira (17.mar.2026).
A ação, autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, cumpriu 2 mandados de prisão, 19 de busca e apreensão e outras medidas cautelares no Ceará e no Distrito Federal. Gorete Pereira foi alvo de mandado de monitoramento com tornozeleira eletrônica. Eis a íntegra da decisão (PDF – 355 kB).
De acordo com a PF, a deputada estabeleceu contatos diretos com autoridades do órgão previdenciário, incluindo Alessandro Antonio Stefanutto, ex-presidente do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) preso em novembro de 2025 e afastado do cargo em abril do mesmo ano.
“De acordo com o apurado pela Polícia Federal, não só MARIA GORETE tinha procurações em seu favor outorgadas pelas entidades associativas com amplos poderes para firmar Acordos de Cooperação Técnica com o INSS, como também articulava diretamente com o investigado ALESSANDRO STEFANUTTO e com ALAN, Diretor da DATAPREV, com o propósito de agilizar a ativação das entidades que representava para viabilizar a operacionalização do esquema criminoso de descontos ilícitos de benefícios previdenciários”, disse Mendonça.
Articulação política e recebimento de valores
“O MPF afirmou haver elementos de que [a deputada] teria atuado como articuladora política junto a órgãos públicos, além de ter recebido valores por meio de pessoas interpostas”, declarou Mendonça.
O Ministério Público Federal pediu a prisão preventiva da congressista, mas o ministro negou.
“Quanto ao pleito específico, insta salientar que tenho adotado postura cautelosa em relação a pedidos de decretação de prisão de parlamentares. Parto da premissa de que essa medida acarreta efeitos significativos em uma república, notadamente por inviabilizar o pleno exercício do mandato parlamentar”, disse.
Prisões e alvos da operação
Foram presos um empresário e a advogada Cecília Rodrigues Mota, ex-presidente da AAPEN (Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional) e da AAPB (Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil).
Segundo o ministro Mendonça, “em relação a Cecília, destacou-se atuação central na operacionalização das filiações fraudulentas, dos descontos indevidos e na ocultação patrimonial”.
O diretor de Relacionamento e Negócios da Dataprev, Alan Santos, foi alvo de mandados de busca e apreensão em Brasília. É suspeito de facilitar autorizações para que associações realizassem transações envolvendo beneficiários do INSS.
Apreensões e crimes investigados
A Polícia Federal apreendeu carros de luxo, grandes quantias em dinheiro e equipamentos eletrônicos durante as diligências.
Em nota, a PF declarou que a operação busca “esclarecer a prática de diversos crimes de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial”.
As vítimas do esquema são aposentados e pensionistas do INSS que tiveram descontos irregulares aplicados em seus benefícios.
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