O secretário de Políticas Digitais da Secom (Secretaria de Comunicação Social), João Brant, diz que a estagnação na aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se deve à polarização política, e não a falhas da comunicação do Planalto.
Para ele, o governo encontrou uma linguagem própria a partir de 2025, mais leve, com humor e conectada ao cotidiano, mas o eleitorado brasileiro está cada vez mais resistente. “O governo tem ido muito bem na comunicação naquilo que ele consegue atuar neste cenário de polarização política e de tensionamento entre poderes”, declarou em entrevista ao Poder360 no estúdio do jornal, em Brasília.
Assista à íntegra da entrevista (38min37s):
Brant diverge da avaliação de alguns aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que o Planalto não consegue comunicar de forma eficiente os feitos positivos do presidente em 3 anos.
Na 3ª feira (17.mar.2026), por exemplo, o presidente do PT, Edinho Silva, disse que o governo ainda não conseguiu vencer o desafio de fazer chegar aos eleitores todas as realizações positivas do Executivo. Também culpou a polarização, mas disse que falta o governo “traduzir em comunicação” iniciativas como a ampliação da faixa de isenção de Imposto de Renda.
Para o secretário, culpar a comunicação pela aprovação estagnada de Lula é uma simplificação que ignora a chamada “calcificação” das opiniões do eleitorado. A expressão é do cientista político Felipe Nunes, usada para descrever posições políticas cada vez mais rígidas e resistentes à mudança.
O secretário também reconheceu que a comunicação tem limites estruturais. Para explicar, usou uma metáfora do ministro da Secom, Sidônio Palmeira: “Você precisa abrir a vela, mas precisa de vento. As políticas públicas dão o vento. A comunicação abre a vela.”
Segundo Brant, o espaço fiscal reduzido nos primeiros anos do governo limitou a produção de fatos novos –e sem novidades concretas, a comunicação tem menos material para trabalhar. Citou a isenção do IR para quem ganha até R$ 5.000 como exemplo de tema que rendeu pauta antes, durante e depois da tramitação no Congresso.
Brant avaliou que o processo eleitoral de 2026 será desafiador e não apenas pela polarização. Disse ainda que o ambiente digital pode ser usado para burlar regras de financiamento eleitoral. “Não estamos falando só de uma questão de fakes tradicionais, mas de um nível de distribuição, de venda de conteúdo, de estabelecimento de redes”, disse.
LIMITE COM A CAMPANHA
Brant também delimitou o papel da comunicação governamental em ano eleitoral. Para ele, cabe ao Planalto defender posições e políticas públicas –como o fim da jornada 6 X 1–, mas não entrar em discussão direta com a oposição.
“O governo é de 210 milhões de pessoas. Não pode ficar brigando com a oposição”, disse.
Sobre o uso de inteligência artificial na comunicação, afirmou que o limite ético está em não usar a ferramenta para forjar situações que não aconteceram.
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