A saída de Fernando Haddad (PT) do Ministério da Fazenda, nesta 6ª feira (20.mar.2026), é o 1º passo concreto para a maior reforma ministerial do 3º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A estratégia do Planalto é substituir ministros que vão disputar as eleições por seus secretários-executivos: perfis mais técnicos e com menor custo político.
Dario Durigan, que era secretário-executivo da Fazenda, foi empossado no mesmo dia em que Haddad anunciou a saída. O agora ex-ministro é pré-candidato ao governo de SP.
Ao todo, 21 ministros devem deixar o governo para disputar as eleições de outubro.
QUEM DEVE ASSUMIR
Do grupo que já tem conversas avançadas, quase todos que vão assumir são secretários-executivos:
- Casa Civil – Miriam Belchior vai para a vaga de Rui Costa (PT);
- Transportes – George Santoro deve assumir no lugar de Renan Filho (MDB);
- Meio Ambiente – João Paulo Capobianco vai substituir Marina Silva (Rede);
- Desenvolvimento Agrário – Fernanda Machiaveli deve ficar com a vaga de Paulo Teixeira (PT);
- Indústria e Comércio – Márcio Elias Rosa deve assumir no lugar de Geraldo Alckmin (PSB);
- Portos e Aeroportos – Tomé Barros Monteiro da França é cotado para a vaga de Silvio Costa Filho (Republicanos);
- Relações Institucionais – Olavo Noleto foi indicado para substituir Gleisi Hoffmann (PT). É uma exceção no modelo adotado pelo governo. Ele não ocupa a Secretaria-Executiva da pasta. Hoje, é secretário-executivo do CDESS (Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável). Na prática, embora não seja o número 2 formal da SRI, Noleto já transita no núcleo de negociação do governo, o que o mantém alinhado à estratégia de priorizar quadros técnicos com experiência interna.
Alexandre Padilha, então secretário das Relações Institucionais, mostra foto impressa de todos os ministros do governo com o presidente Lula em 2023
As negociações, porém, ainda estão em aberto em várias frentes.
Há 16 ministros esperando uma reunião com Lula para definir o futuro de suas pastas. Até 4 de abril, ele precisa escolher todos os substitutos –6 meses antes do 1º turno.
Desses, 14 ministérios ainda não têm nomes encaminhados:
- Planejamento (Simone Tebet);
- Cidades (Jader Filho);
- Empreendedorismo (Márcio França);
- Igualdade Racial (Anielle Franco);
- Minas e Energia (Alexandre Silveira);
- Pesca (André de Paula);
- Agricultura (Carlos Fávaro);
- Portos e Aeroportos (Silvio Costa Filho);
- Povos Indígenas (Sônia Guajajara);
- Previdência (Wolney Queiroz);
- Esportes (André Fufuca);
- Integração Regional (Waldez Góes);
- Educação (Camilo Santana);
- Direitos Humanos (Macaé Evaristo).
Sônia Guajajara (Povos Indígenas) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos) têm reuniões marcadas com suas equipes ainda nesta semana para definir os próximos passos.
A estratégia de tirar ministros para cargos eletivos mira especialmente o Senado. Tanto a esquerda quando a direita priorizam a disputa pelas 54 cadeiras em jogo.
O Senado concentra atribuições exclusivas que explicam a centralidade da disputa. Cabe ao presidente da Casa, por exemplo, autorizar e conduzir processos de impeachment contra ministros do Supremo.
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