O diretor-presidente da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), André Basbaum, afirmou que os contratos de R$ 100 mil mensais pagos aos apresentadores José Luiz Datena e Cissa Guimarães têm retorno financeiro e de audiência para a TV Brasil. De acordo com ele, os 2 ajudam a ampliar a presença digital da emissora, que busca fortalecer o jornalismo como eixo central da programação e transformar seu conteúdo em material com maior circulação em plataformas virtuais.
Basbaum afirma que sua gestão busca redefinir o papel da emissora estatal a partir da ampliação do jornalismo e da reorganização entre comunicação pública e comunicação de governo. Ao descrever essa separação, ele diz que “o canal Gov. faz a comunicação de governo” enquanto a TV Brasil deve operar sob outra lógica. Nno jornalismo você tem que ter pluralidade, tem que perseguir a boa técnica”, disse.
Assista à íntegra da entrevista realizada no estúdio deste jornal digital, em Brasília (44min44s):
Na prática, essa distinção aparece como eixo central da reestruturação da empresa. Segundo Basbaum, a emissora passou a reforçar a grade jornalística, que estava reduzida a “2 telejornais por dia” quando ele assumiu, em agosto dee 2025. Ao chegar, diagnosticou que faltava jornalismo e uma programação relevante o suficiente que fizesse o público querer, de fato, assistir ao canal.
A estratégia, no entanto, não se limita à programação tradicional. A aposta da gestão é transformar conteúdos jornalísticos em produtos de alta circulação digital, explorando cortes e viralização em plataformas como YouTube e Instagram.
Para ele, o impacto de entrevistas recentes mostra que o conteúdo público pode competir por atenção fora da TV aberta, desde que associado a figuras de forte apelo. “Ele [o conteúdo] cria uma conexão com quem está ouvindo e aí é distribuído”, disse, ao comentar a repercussão de entrevistas exibidas na emissora.
Esse modelo sustenta a justificativa para a contratação de apresentadores com salários elevados em relação ao padrão do setor público. Basbaum argumenta que nomes como Datena e Cissa Guimarães funcionam como ativos de audiência e distribuição digital, e não apenas como reforço de grade. “São duas estrelas da companhia”, afirmou, ao defender os contratos como compatíveis com o mercado televisivo privado.
Além de Datena, a TV Brasil contratou a jornalista Giuliana Moroni, que trabalhou por mais de duas décadas na Rede Globo, para um programa de debates, nos moldes do programa Roda Viva, da TV Cultura. O jornalista e escritor Lira Neto vai conduzir um programa de memória sobre o jornalismo brasileiro. O trio formado por Juca Kfouri, Lúcio de Castro e Trajano já está no ar com o programa esportivo “Trio de Ataque”. Jamil Chade e Cristina Serra comandam o Brasil no Mundo, programa de política internacional. Os salários desses profissionais não foi divulgado.
Ao mesmo tempo, Basbaum tenta enquadrar a EBC dentro de uma lógica híbrida: estatal na estrutura, mas com ambição para ter relevância competitiva. Ele cita a Agência Brasil como núcleo de maior rigor técnico dentro do sistema, chegando a descrevê-la como “a joia da coroa da EBC”, com potencial de expansão internacional.
JORNALISMO
Nesse desenho, o jornalismo é apresentado como eixo normativo e também político. Basbaum afirma que a função da emissora não é a defesa de governos, mas a fiscalização de problemas concretos. Ao citar a alta do diesel, por exemplo, ele defende que a imprensa investigue distorções de preços e seus efeitos sobre a economia cotidiana:. “Tem que defender o bolso do consumidor”, disse.
A segurança pública foi citada como prioridade. Basbaum afirmou que o campo progressista tem dificuldade histórica de abordar o tema e que o jornalismo pode ajudar a qualificar essa discussão.
A EBC tem cerca de 400 jornalistas e pode ser, para o executivo, a empresa com mais profissionais da área no Brasil. Para ele, o jornalismo profissional é “uma ferramenta da democracia” e sua presença na grade é inegociável.
Na imagem, o presidente da EBC, Andre Basbaum, de 45 anos, na sede do Poder360, em Brasília
Para Basbaum, a EBC está em transição entre modelos: de um lado, a comunicação institucional vinculada ao governo federal; de outro, a tentativa de consolidar uma televisão pública com ambição de audiência, presença digital e protagonismo jornalístico–ainda que dependente de decisões políticas e orçamentárias do Estado.
“Nós precisamos mudar e estamos mudando aos poucos, sem criar nenhum desassossego. Mas é botar jornalismo na grade”, afirmou. Ao ser perguntado sobre as metas da emissora até o fim de 2026, respondeu: “Jornalismo, jornalismo, jornalismo. Precisa ser relevante.”
As informações deste post foram publicadas antes pelo Drive, com exclusividade. A newsletter é produzida para assinantes pela equipe de jornalistas do Poder360. Conheça mais o Drive aqui e saiba como receber com antecedência todas as principais informações do poder e da política.
Powered by WPeMatico
