O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manterá o apoio à candidatura de à secretaria-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), mesmo após o presidente chileno José Antonio Kast (Partido Republicano, direita) retirar o respaldo do próprio país à ex-chefe de Estado.
Bachelet foi presidente do Chile por 2 mandatos, dirigiu dois órgãos da ONU e conhece a dinâmica interna dos secretariados. Para o Planalto, nenhum dos candidatos em disputa apresenta experiência comparável.
O cargo atualmente é ocupado por António Guterres. Caso Bachelet mantenha a candidatura, o Chile informou que adotará posição neutra, em respeito à trajetória da ex-presidente.
O apoio triplo à postulação havia sido definido durante o governo de Gabriel Boric, aliado de Bachelet. Com a posse de José Antonio Kast em 11 de março, houve mudança na posição do governo chileno.
Hoje há quatro candidatos à secretaria-geral. Três são latino-americanos: Bachelet; Rafael Mariano Grossi, argentino que dirige a Agência Internacional de Energia Atômica; e Rebeca Grynspan, ex-segunda vice-presidente da Costa Rica. O ex-presidente do Senegal, Macky Sall, aparece como possível candidato africano.
A retirada do apoio chileno cria uma dificuldade política real para Bachelet. Seus adversários poderão usar isso, mas não há impedimento jurídico: ela ainda pode ser eleita sem o respaldo de Santiago.
Para o Brasil, o momento é de manter o apoio e observar como o campo se organiza. O país preferiu não se posicionar publicamente, aguardando a diminuição da tensão no Chile.
O processo não passa pela Assembleia Geral. A decisão será tomada pelo Conselho de Segurança, onde EUA, China e Rússia têm poder de veto.
Pequim sinalizou que só apoiará uma candidata latino-americana se ela tiver consenso do próprio país. Bachelet não tem.
O Brasil reconhece o obstáculo, mas avalia que o processo ainda está no início –os debates entre candidatos em Nova York devem começar em abril– e que outros concorrentes também enfrentarão problemas com membros permanentes do Conselho.
O argentino Rafael Grossi, indicado por Javier Milei, enfrenta ceticismo de China e Rússia. Como diretor da agência nuclear, foi ambíguo durante os ataques de Israel ao Irã, e sua proximidade com Washington pesa negativamente para os 2 países.
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